Anitta, ‘Bichos Escrotos’ e um viral maior do que a qualidade da fraca versão
Criticar funk é tão demodê que pode fazer o texto a seguir nascer anacrônico para uma parcela considerável de seus leitores.
Ainda assim, é importante correr o risco para se observar: a nova versão de Anitta para “Bichos Escrotos” , música dos Titãs , é fraca.
Não ruim.
Fraca.
Viralizou por razões distintas; nenhuma delas ligada à qualidade artística do cover.
Disponível no álbum Cabeça Dinossauro (1986), “Bichos Escrotos” foi composta por Arnaldo Antunes , Nando Reis e Sérgio Britto ainda em 1982, mas gravada só após o fim da ditadura militar.
Os integrantes sabiam que, antes disso, a canção passaria por forte censura.
Ainda bem que a guardaram, pois encaixou perfeitamente no ácido e contestador terceiro disco de estúdio dos Titãs, responsável por marcar uma guinada ao punk rock e às letras de cunho politizado.
Exatamente quatro décadas depois, Anitta regravou a canção para a trilha sonora do filme Corrida dos Bichos , dirigido por Fernando Meirelles , Rodrigo Pesavento e Ernesto Solis e produzido pela O2 Filmes para o Prime Video .
A cantora também integra o elenco, cuja trama narra a história de um Rio de Janeiro distópico no qual existe uma competição mortal, adaptada do Jogo do Bicho.
Nela, magnatas controlam pessoas pobres (“bichos”) com objetivo de ganhar uma polpuda premiação.
A letra casa perfeitamente com a trama.
A releitura de Anitta, produzida por Tropkillaz e Apu. , não.
E nada tem a ver com a estética funk.
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