Caso Isabelle: o que se sabe e o que ainda falta saber
Apesar do avanço das diligências, as autoridades ainda não divulgaram publicamente uma linha de investigação sobre o caso. Segundo apuração da TV Globo , a ordem de prisão contra João foi fundamentada nos artigos 122 e 147 do Código Penal, relacionados, respectivamente, à indução ou instigação ao suicídio ou à automutilação e ao crime de ameaça.
Conforme informou o Correio anteriormente, A Polícia Civil também apreendeu um celular e um tablet pertencentes à mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz. O telefone de Isabelle foi recuperado e integra o material analisado pelos investigadores.
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) constatou ferimentos no corpo da estudante “compatíveis com o impacto contra o solo”. Os exames laboratoriais, por sua vez, não detectaram substâncias de interesse toxicológico. A dinâmica e a causa da morte ainda não foram esclarecidas oficialmente.
Registros de câmeras de segurança divulgados pelo Diário do Nordeste e pela TV Globo mostram parte da movimentação no Condomínio La Piazza na noite em que Isabelle morreu.
Às 18h32 de 13 de setembro, João aparece indo até a portaria. Depois desse horário, ele e a mãe deixam o edifício em um carro. Pouco mais de meia hora depois, às 19h12, Isabelle é registrada sozinha dentro de um elevador, com o celular nas mãos, seguindo em direção ao rooftop, localizado no 23º andar.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informa que a morte ocorreu por volta das 20h40. João só aparece novamente no condomínio às 22h48.
Ainda naquela noite, uma equipe da Pefoce foi chamada ao endereço e realizou os primeiros exames no local. Foi durante esse atendimento que os peritos identificaram as lesões posteriormente descritas como compatíveis com impacto contra o solo.
No dia seguinte, 14 de setembro, a mãe de Isabelle, a professora universitária Isorlanda Caracristi, foi ao condomínio depois de não conseguir falar com a filha e soube da morte pela síndica.
A investigação ganhou maior exposição pública em 18 de setembro, quando Isorlanda divulgou um vídeo nas redes sociais cobrando esclarecimentos e justiça.
Dois dias depois, policiais localizaram a mãe de João na praia do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde cumpriram mandado de busca e apreensão e recolheram o celular e o tablet dela. Naquele momento, João ainda era procurado.
Na segunda-feira (21/9), a mãe e o irmão de Isabelle prestaram depoimento. No dia seguinte, João foi preso.
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e havia trabalhado por cerca de 20 dias em um escritório de advocacia de Fortaleza, onde conheceu João. Segundo a empresa, ela permaneceu no local do fim de julho ao início de agosto, quando pediu o desligamento.
O escritório informou que a saída ocorreu “por razões de ordem pessoal”.
De acordo com Isorlanda, o relacionamento começou pouco tempo depois de a filha iniciar o estágio. A mãe afirma que passou a se preocupar com a velocidade da aproximação e atribui ao namorado um comportamento controlador.
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