Alunos de medicina atacam bolsistas em SP e MG após derrota de Flávio Bolsonaro
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25), foi seguida por episódios de hostilidade contra alunos de medicina em São Paulo e Minas Gerais.
Em grupos de WhatsApp, estudantes que recebem bolsas de estudo, vendem alimentos para complementar a renda ou apoiam o petista foram alvo de insultos e manifestações de preconceito.
Os episódios ocorreram na Universidade de Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, e no Centro Universitário Imepac, em Araguari, no Triângulo Mineiro.
As denúncias foram divulgadas pela Folha de S.Paulo, na quarta-feira (28), e pelo g1, nesta quinta-feira (29).
Em Minas, dois estudantes de 19 anos são investigados administrativamente pela faculdade depois de enviarem áudios com ataques a bolsistas.
Um boletim de ocorrência por difamação também foi registrado.
Em São Paulo, alunos da Unisa denunciaram ofensas contra nordestinos, beneficiários do Prouni e eleitores de Lula, além de mensagens com referências à violência.
“Divide a bolsa com o MST”: ataques em Minas Gerais Em Araguari, os áudios foram enviados por volta das 21h50 de domingo (25), no grupo de WhatsApp de uma turma de medicina do Imepac.
Segundo reportagem de Madu Porto, do g1 Triângulo Mineiro, as mensagens partiram de dois estudantes de 19 anos e atingiram colegas que recebem bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) ou utilizam o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Um dos estudantes atacou colegas que vendem trufas e outros produtos para conseguir permanecer na faculdade.
Em outro áudio, houve insultos a eleitores de Lula e uma provocação envolvendo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
“Pega a p* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a p* do MST” , disse um dos envolvidos.
Uma estudante de 21 anos, natural de Uberlândia, contou ao g1 que ingressou na faculdade no início de 2026 e vende trufas para ajudar a pagar suas despesas em Araguari.
Bolsista, ela afirmou ter se sentido diretamente atingida pelas ofensas, embora não tenha manifestado publicamente sua preferência política durante a campanha eleitoral.
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