Governo Trump quer selo de origem para carne bovina nos EUA
O governo Trump espera que a obrigatoriedade de informar o país de origem da carne ajude a amenizar os problemas do setor bovino americano.
Criadores de gado estão descontentes com o plano do presidente Donald Trump de importar mais de 299 mil toneladas de aparas de carne bovina magra, que são misturadas a aparas de gordura para produzir carne moída, com tarifas reduzidas. Uma maior concorrência com a carne estrangeira reduziria o preço recebido pelos pecuaristas por seu próprio gado.
A administração quer dar aos consumidores uma opção e, ao mesmo tempo, tentar apaziguar os pecuaristas: procurar carne totalmente americana e, potencialmente, pagar mais por ela, ou escolher a alternativa importada, mais barata.
"Meu objetivo e minha principal prioridade ao trazer essa rotulagem de volta são, em primeiro lugar, proteger o pecuarista americano e, em segundo, proteger o consumidor americano", disse a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, em entrevista.
A nova iniciativa enfrenta resistência, já que o setor pecuário está dividido sobre a utilidade da rotulagem obrigatória. Varejistas, frigoríficos, confinadores e pecuaristas com grandes rebanhos afirmam que a medida impõe custos excessivos. Já pecuaristas independentes e aqueles com rebanhos menores dizem que é possível fazer isso a baixo custo e que a medida beneficiaria seus resultados financeiros.
Neste mês, o presidente assinou uma ordem executiva que estabelece uma série de novas regras para os setores de carne bovina e pecuária. A parte referente à rotulagem determina que a secretária de Agricultura e o representante comercial dos Estados Unidos revisem as normas e apresentem, em 90 dias, uma análise econômica da obrigatoriedade de informar o país de origem. Depois, eles poderão emitir novas regras, caso isso seja permitido por lei, ou fazer recomendações ao Congresso sobre as leis que consideram necessárias para tratar do tema.
Qualquer mudança nas regras de rotulagem não entraria em vigor antes de 2027. A maioria das frutas, verduras, peixes e algumas carnes frescas vendidas em supermercados americanos já precisa informar o país de origem. Carne bovina e suína, porém, não estão sujeitas à exigência, devido a uma história complexa de leis e disputas comerciais.
A Farm Bill de 2002, legislação que reúne políticas agrícolas dos EUA, exigiu que os varejistas informassem a origem da carne bovina fresca e de diversos tipos de carne, frutas e verduras. Uma ampliação aprovada em 2008 incluiu o frango na lista e modificou as regras para a carne bovina. Canadá e México recorreram à OMC (Organização Mundial do Comércio), alegando que as exigências violavam acordos comerciais porque os obrigavam a gastar milhões de dólares para cumprir as regras.
A OMC deu razão aos dois países e permitiu que Canadá e México impusessem mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,13 bilhões) em tarifas retaliatórias sobre produtos dos Estados Unidos.
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