'Acho que vai envolver Milton Leite', disse investigado sobre substituição de empresa suspeita de elo com PCC
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Documentos da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo indicam que o mandado de prisão contra o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) foi baseado, principalmente, em duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros.
O nome dele aparece em um áudio encontrado em aparelho celular apreendido e nos depoimentos de policiais prestados à Corregedoria da Polícia Militar.
As duas citações a Milton tratam de supostas conexões dele com as empresas que foram alvo da Operação Fim da Linha , deflagrada em abril de 2024, que mira a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de ônibus da cidade de São Paulo .
Nenhuma outra prova contra ele, como pagamentos ou vínculos societários com as empresas ou pessoas investigadas, aparece nas representações da polícia e da Promotoria.
O ex-vereador não foi encontrado em casa e, por telefone, afirmou à reportagem que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas" , disse ele na manhã desta quinta (17). Ele negou veementemente qualquer tipo de vínculo com o PCC.
Menções ao ex-vereador aparecem pela primeira vez numa conversa por aplicativo de mensagem em 11 de julho de 2024. José Daniel Satilite, sócio da empresa de ônibus Translider, conversava com um advogado sobre a possibilidade de substituição da empresa UPBus nas concessões de linhas da capital paulista após a deflagração da Fim da Linha.
Ambos, Satilite e o advogado, são suspeitos de integrar o PCC, segundo a Promotoria.
O empresário diz ao interlocutor que acreditava que seria necessário envolver Milton nas conversas para acertar a substituição da empresa. A sugestão para envolver o então vereador teria vindo do advogado Milton Milreu, que segundo a Promotoria também é suspeito de ser membro da facção.
"Eu falei com o doutor Milton [Milreu], referente à substituição da UPBus pela nossa empresa, lá, querendo ou não vai envolver o Milton Leite", diz Satilite no áudio. "Eu falei 'ah doutor, tudo bem, qualquer coisa a gente fala com o Milton Leite também", ele continua.
Quatro dias depois, Satilite envia outro áudio ao mesmo interlocutor e diz que um representante dele iria se encontrar com Levi dos Santos Oliveira, então presidente da SPTrans (órgão municipal responsável por gerenciar o transporte por ônibus).
Nesse áudio, ele reitera que achava que o ex-vereador seria envolvido nas conversas sobre a substituição do contrato. "Acho que vai envolver Milton Leite, esse pessoal todo."
A reportagem não localizou a defesa de Satilite. A Folha entrou em contato por telefone e mensagens de texto com o escritório de uma advogada que já representou Milreu para pedir um posicionamento, mas não recebeu resposta.
Decisão de primeira instância havia negado o pedido do Ministério Público para prender o ex-vereador, assim como outros 12 dos 16 investigados. A prisão contra ele veio após apelação à 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.