Não houve frustração, mas eleitor exigiu mais de Lula, diz Jerônimo Rodrigues, reeleito na Bahia
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Reeleito para mais quatro anos à frente do Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues ( PT ), 61, tirou esta quinta-feira (8) para conversar com prefeitos aliados e definir uma estratégia para tentar virar votos para o presidente Lula (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro ( PL ). Antes da maratona de reuniões, o governador reeleito recebeu a Folha para uma entrevista.
O petista reconheceu que a imagem de Lula construída nos mandatos entre 2003 e 2010 já não produz o mesmo efeito sobre parte do eleitorado. Na avaliação dele, não houve exatamente uma frustração, mas o eleitor passou a exigir mais de Lula.
Para o governador, a campanha no segundo turno precisa combinar temas como democracia e soberania com questões do cotidiano. Ele afirmou que sua meta é ampliar a votação de Lula na Bahia e ironizou seu adversário ACM Neto ( União Brasil ), derrotado na disputa pelo governo baiano, por agora apoiar Flávio Bolsonaro : "Ele perdeu e vai perder de novo".
O PT chega ao segundo turno em cenário adverso, buscando uma virada inédita na eleição presidencial. Foi uma surpresa o resultado? Sabíamos que seria uma eleição dura, com um riscado no chão. Em um país democrático, a eleição deve ser um ambiente para discutir projetos. E os dois projetos que ficaram para o segundo turno são muito diferentes na forma de tratar as pessoas, no relacionamento com a democracia, na defesa da soberania nacional.
Não acha que soberania e defesa da democracia são temas etéreos para o eleitor que está preocupado com o preço da comida? É etéreo para quem não compreende o percurso de uma democracia. Quem viveu a ditadura de 1964 sabe do que se trata. Temos esse bloco de temas, mas também o dia a dia das famílias, que é comida na mesa, uma roupa decente, uma casa adequada. A gente não tinha isso, e eu tiro por mim. Nunca imaginava que o governo pudesse dar uma casa a uma pessoa pobre, que pudesse ter asfalto numa zona rural. Então, uma coisa pode parecer etérea, mas ela determina as outras. A democracia e a soberania são temas que orientam a gente.
Acha que havia na campanha um otimismo um pouco descolado da realidade? Parte da população está insatisfeita com a situação do país. Nós temos uma referência do Lula. O Brasil tem aquele Lula de 2003, que tirou o Brasil do mapa da fome . Agora, ele tirou pela segunda vez, mas já não foi a mesma coisa para a sociedade. Não era novidade. Talvez a expectativa tenha sido essa. Eu não digo que é uma frustração, mas é exigir do Lula algo mais. E isso é bom para a sociedade brasileira.
O senhor falava em dar uma frente de até 5 milhões de votos na Bahia, mas essa frente foi de 3,2 milhões, inferior à de 2022. Houve um erro de avaliação? Nossa expectativa é reverter para fazer uma virada que nunca houve na história do Brasil.
O presidente tem focado na segurança pública com um lema: "Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão". Acha que esse é o caminho? Temos temas que são decisivos. A educação, por exemplo, é fundamental para a gente desenvolver esse país. Na segurança pública, da mesma forma.
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