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Política

Telma de Souza e o mandato em Santos: a coragem de governar e as raízes que Santos não apaga

Revista Fórum ·
Telma de Souza e o mandato em Santos: a coragem de governar e as raízes que Santos não apaga

Há nomes que não cabem apenas nas páginas frias dos livros de história, pois caminham vivos pelas ruas, habitam a memória coletiva e pulsam no peito das praças.

A trajetória de Telma de Souza é feita desse barro humano e resistente, onde a política deixa de ser um mero exercício de poder para se tornar um ato contínuo de amor, coragem e poesia popular.

Antes das tribunas, dos holofotes e dos grandes discursos, sua história foi forjada no chão batido da vida real, no ombro a ombro com a classe trabalhadora e na escuta atenta dos anseios das periferias.

Foi no tempo em que ousar sonhar era um ato revolucionário de resistência que sua caminhada se entrelaçou com os movimentos sociais e com as origens do Partido dos Trabalhadores.

Sob o sopro do mar do Guarujá, em um encontro fundacional, no início dos anos 1980, marcado pela urgência de novos tempos, quatro mulheres corajosas assumiram a responsabilidade de erguer a comissão provisória do partido em Guarujá.

Dali em diante, a utopia ganhou pés e asas.

Foram incansáveis as caminhadas de porta em porta, indo de casa em casa com a pasta debaixo do braço e o estatuto do partido na ponta da língua e no coração.

Cada filiação conquistada não era um mero papel assinado, mas uma conversa demorada, um café coado com afeto e a certeza compartilhada de que o povo trabalhador podia e devia ser o protagonista do seu próprio destino.

Essa força comunitária desembocou em um marco inesquecível para a Baixada Santista: em 1988, Telma de Souza tornou-se a primeira mulher eleita prefeita de Santos para o mandato de 1989 a 1993.

A imagem de uma mulher negra no comando da cidade em tempos tão difíceis e desafiadores trouxe um sopro inestimável de representatividade, abrindo caminhos e mostrando que as estruturas de poder podiam ser rompidas.

Ao lado de seu sucessor, o inesquecível médico sanitarista David Capistrano Filho, que governou entre 1993 e 1996, ergueu-se uma era de ouro na administração pública, pautada por uma gestão de afeto radical, ousadia ética e compromisso inegociável com a vida.

Juntos, consolidaram políticas públicas moldadas com tal solidez e verdade que os governos que os sucederam, por mais que tentassem, jamais tiveram a coragem ou a força para exterminar.

Entre esses atos de coragem histórica, destaca-se a intervenção monumental no Hospital Anchieta, tragicamente conhecido como o “Centro de Horrores”.

Em uma ação firme e profundamente humana, a gestão pôs fim ao pesadelo daquele manicômio, desmantelando a lógica da tortura institucionalizada e tornando Santos o berço da reforma psiquiátrica no Brasil, sob a premissa de que a dor humana se acolhe com liberdade e cuidado, e não com correntes.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.

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