Macron repudia comentários 'estúpidos' de líderes estrangeiros sobre protestos na França
Presidente da França, Emmanuel Macron, em coletiva de imprensa no Catar em 21 de outubro de 2026.
REUTERS/Benoit Tessier/Pool O presidente da França, Emmanuel Macron, repudiou nesta quarta-feira (21) comentários "inaceitáveis e estúpidos" feitos por líderes estrangeiros sobre os protestos violentos ocorridos nas ruas francesas no fim de semana.
Em uma crítica ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, esses líderes "fazem campanha às custas" da França, segundo Macron. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp SANDRA COHEN: Trump importa o caos na França para a campanha americana A segunda maior economia da União Europeia presenciou, no sábado, alguns dos piores episódios de violência urbana dos últimos anos, apenas seis meses antes de o país eleger o sucessor do atual presidente de centro-direita.
Imagens de saques e incêndios em prédios públicos varreram o mundo.
Vários líderes se manifestaram sobre o ocorrido, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e figuras de extrema direita na Europa.
Agora no g1 Trump afirmou que a França está sendo "conquistada, saqueada e reduzida a cinzas por migrantes, jihadistas e comunistas", enquanto Netanyahu classificou o país como um refúgio do "islamismo extremista".
Ambos enfrentam eleições legislativas decisivas nas próximas semanas.
Em Doha, durante uma viagem destinada a garantir o fornecimento de hidrocarbonetos para reduzir os preços na França, Macron avaliou que houve "uma manipulação estrangeira da informação" após os distúrbios, o que "deu margem a comentários tão inaceitáveis quanto estúpidos".
"Quando vejo líderes que estão em campanha, seja na região ou do outro lado do Atlântico, que às vezes, com credulidade, repetem o que aparece na inteligência artificial (...), percebo que fazem campanha às nossas custas", lamentou.
As autoridades francesas atribuem os distúrbios a "pequenos grupos de extrema esquerda", aos quais teriam se juntado "criminosos oportunistas", muitos deles jovens procedentes dos subúrbios das grandes cidades, que saquearam centenas de lojas.
Das 557 pessoas sob custódia policial devido aos distúrbios em Paris, 300 já compareceram perante um magistrado e nenhuma "alegou uma motivação de natureza política", informou na noite de terça-feira a promotora da capital, Laure Beccuau.
Reunião sindical Os distúrbios ocorreram à margem de protestos multitudinários, que reuniram entre 550.000 e 800.000 pessoas no sábado para denunciar o aumento do custo de vida e exigir melhores condições para os estudantes do ensino médio.
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