Coligação de Lula pede apuração por uso de criptomoeda e vídeo pró-Flávio
A Coligação Brasil Pronto pra Mais, liderada pelo PT do presidente Lula, acionou a Justiça Eleitoral contra a distribuição de criptomoedas atrelada à propaganda eleitoral em favor do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e contra um vídeo manipulado divulgado pelo empresário e influencer Pablo Marçal.
Uma representação dos partidos encabeçados pelo PT foi enviada à PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral), questionando o Brasil 22 Token (B22), ativo virtual criado para incentivar a divulgação de conteúdos ligados ao voto no 22. A coligação afirma que o projeto oferece recompensas digitais a quem publicar material em redes como X, Instagram e TikTok, o que poderia configurar vantagem econômica para impulsionar candidatura.
Na denúncia, é citado que o site do projeto entrou no ar após registro nos Estados Unidos, com dados do titular protegidos por serviço de privacidade. De acordo com a coligação, a iniciativa promete 30 mil tokens para cada uma das primeiras mil pessoas que divulgarem a campanha do ativo, com inscrições até 26 de outubro, um dia após o segundo turno.
Documentos anexados na representação envida para à PGE apontam que uma carteira digital abastecida pela corretora Binance criou o token e transferiu 120 milhões de unidades para uma carteira apresentada como ligada ao HypersKids, grupo infantil de dança de Uganda. Pouco depois, o perfil do grupo no Instagram publicou vídeo de crianças com camisetas do B22 pedindo votos para Flávio Bolsonaro e convidando seguidores a ganhar criptomoedas com publicações.
Em vídeo, as crianças citam nomes ligados à campanha de candidatos do PL. "Por favor, confiem em Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal. O propósito do novo token é ajudar o Brasil. Dê uma chance, vote diferente", diz o HypersKids.
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Na cotação mencionada pela coligação, os 120 milhões de tokens equivaleriam a cerca de R$ 104,5 mil, e o ativo teria movimentado aproximadamente R$ 1,06 milhão em 24 horas. O grupo pede que as autoridades identifiquem os responsáveis e apurem possíveis crimes eleitorais, como aliciamento de eleitores e eventual compra de votos, além de preservação de registros em plataformas e cooperação jurídica com os EUA.
Além da notícia de fato, a coligação diz ter protocolado no TSE representação por propaganda eleitoral paga na internet e uma ação de investigação judicial eleitoral. O objetivo, segundo o pedido, é apurar suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, envolvendo os candidatos beneficiários e o apontado idealizador do projeto, Kevim Flores.
Para a coligação, a promessa de valorização do ativo reforça o caráter de incentivo financeiro associado à disputa eleitoral. Em publicação no X atribuída a Flores, ele escreveu: "Acabaram as Bets no Brasil. Viciado tá como, com dinheiro sobrando e louco pra ver 100x. Normal. Quem não gosta de uma valorização absurda de um ativo? Até o @FlavioBolsonaro ser eleito no dia 25/08, teremos mais de 3.000% de valorização nesse meme histórico e legítimo".
Em outra frente, a coligação pediu ao TSE a retirada de um vídeo publicado por Pablo Marçal no Instagram.
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