Eleitores de direita e de esquerda concordam sobre Estado forte na economia
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Uma pesquisa digital do Ipsos apontou convergências econômicas entre eleitores antilulistas e antibolsonaristas, e esse retrato ajuda a explicar por que uma "terceira via" liberal não encontra espaço no país, diz José Roberto de Toledo no A Hora , do Canal UOL.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo , disponível nas principais plataformas. Ouça aqui .
Segundo Toledo, o levantamento foi encomendado pelo Global Fund for a New Economy e feito com entrevistas online, o que limita o recorte a participantes das classes de consumo A, B e C.
É uma pesquisa digital que, portanto, não é um espelho de todo o eleitorado brasileiro. Ela só pega classes de consumo A, B e C, não pega as classes D e E, as mais pobres. Analisando apenas o eleitorado das classes A, B e C e que participam dessas pesquisas online, o diagnóstico que a pesquisa encontrou é inacreditável como há pontos de convergência econômica entre o eleitorado antilulista e o eleitorado antibolsonarista. José Roberto de Toledo
Toledo diz que o estudo separou os grupos pela consistência do voto: de um lado, quem votou em Jair Bolsonaro em 2018 e 2022; de outro, quem votou contra ele, em Fernando Haddad em 2018 e em Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Na leitura dele, os dois campos concordam no diagnóstico de que o custo de vida e os preços são o principal problema econômico. A partir daí, ele afirma, aparece apoio a medidas de intervenção estatal em áreas estratégicas.
Os dois lados concordam que é necessário haver um controle de preços em setores estratégicos da economia. Leia-se preço dos combustíveis. Quem diria que a maioria do eleitorado contra o PT seja também a favor de que haja um controle de preços de setores estratégicos, que a Petrobras deva intervir para evitar uma disparada de preço quando você tem uma guerra. José Roberto de Toledo
Thais Bilenky cita quando parlamentares no governo Bolsonaro defendiam privatizações. "E você lembra do Bolsonaro assumindo com Salim Mattar na Secretaria Especial de Desestatização, Paulo Guedes querendo fechar a Petrobras, o Correio, e depois um por um, foram saindo todos", relembra.
Toledo afirma ainda que, nesse recorte, há convergência a favor de o Poder Executivo pressionar o Banco Central a reduzir juros, além de apoio a direitos trabalhistas, como o fim da escala 6 por 1.
Outro ponto de encontro, segundo Toledo, é a defesa de um Estado forte que invista em desenvolvimento de longo prazo e oriente o crescimento econômico, além de pragmatismo no comércio exterior e alívio tributário na base da pirâmide, como a elevação do piso de isenção do Imposto de Renda.
Já as divergências, na avaliação dele, aparecem mais em temas fiscais.
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