1ª pesquisa do Estadão traz resultado surpreendente na disputa Lula x Flávio Bolsonaro
Historicamente posicionado no espectro conservador e dono de um perfil editorial abertamente crítico ao Partidos dos Trabalhadores (PT) e à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o jornal O Estado de S.
Paulo , por meio do Broadcast, seu braço de notícias em tempo real e análise financeira, divulgou, nesta quarta-feira (26), os números da primeira pesquisa fruto de sua nova parceria com o Instituto Indexa.
O levantamento trouxe um panorama que causou, digamos, desconforto nas alas mais ortodoxas e na base leitora do tradicional “jornalão” paulista: num cenário de disputa direta no segundo turno, o atual mandatário sustenta uma vantagem confortável sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal aposta da direita e da extrema direita para o pleito deste ano.
Os dados quantitativos revelam que, em uma simulação de confronto direto na segunda volta, Lula lidera as intenções de voto com 46%, enquanto o filho “zero um” do ex-presidente Jair Bolsonaro alcança 41%.
A fatia de eleitores que pretendem anular ou votar em branco soma 5%, somados a 6% que afirmam que não pretendem ir às urnas e 2% que se declaram indecisos.
A “folga” do petista surpreende sobretudo quando analisada sob a ótica da conjuntura política atual, tida por analistas como uma das corridas mais polarizadas e acirradas da história recente.
A margem de cinco pontos percentuais, superior à margem de erro do estudo, que é de 2,2 pontos para mais ou para menos, mostra a estabilidade de Lula em relação ao levantamento do mês anterior (quando o Estadão ainda não era o solicitante), ocasião em que sustentou o mesmo patamar, ao passo que Flávio oscilou dois pontos para cima, subindo de 39% para os atuais 41%.
P eso dos grandes colégios eleitorais e a força do Nordeste Para compreender como Lula consegue manter essa margem de respiro no segundo turno, é preciso observar os movimentos geopolíticos que o eleitorado vem desenhando nos últimos dias.
A consolidação desses números no segundo turno dialoga diretamente com outras amostragens recentes do cenário eleitoral, a exemplo do levantamento Quaest divulgado no início desta semana, por estados.
A pesquisa da Quaest sinalizou uma recuperação expressiva do governo e um forte emparelhamento do petista em dois dos grandes colégios eleitorais do país: São Paulo, o maior, e o Rio de Janeiro, onde está a segunda maior metrópole brasileira.
Tradicionalmente considerados bastiões da direita e do bolsonarismo, o eleitorado paulista e fluminense mostrou que a hegemonia da oposição nesses territórios já não é indiscutível.
Ao conseguir travar a significativa vantagem que a direita costumava construir no Sudeste, Lula neutraliza a principal alavanca de crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro.
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