Justiça condena Sesc-MT a pagar R$ 150 mil por discriminação contra drag queen
Justiça condena Sesc-MT a pagar R$ 150 mil por discriminação contra drag queen Nelly Winter em Cuiabá Reprodução O Serviço Social do Comércio (Sesc-MT) foi condenado pela Justiça de Mato Grosso a pagar R$ 150 mil por dano moral coletivo após a Justiça considerar discriminatória a forma como o artista Neliton Góis da Silva, intérprete da drag queen Nelly Winter, foi tratado durante a organização de um evento.
O caso ocorreu em 2022, durante a preparação do lançamento do livro “Versa: Bardos em Linhas”, no Sesc Arsenal, em Cuiabá.
Além da indenização, a decisão determina que o Sesc-MT crie regras para análise de projetos culturais e pedidos de uso de espaços e capacite funcionários envolvidos nesses procedimentos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp A decisão é do juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, e foi proferida nesta quinta-feira (17).
Segundo a sentença, o lançamento já fazia parte da programação do Sesc quando a instituição soube que Neliton, um dos autores do livro, participaria caracterizado como Nelly Winter.
Agora no g1 Durante a organização do evento, a analista de cultura Débora Veiga enviou uma mensagem ao artista dizendo que o Sesc estava sob uma “gestão muito conservadora” e que seria “perigoso” autorizar sua participação.
Ela também citou um episódio anterior envolvendo um ator que interpretava uma mulher e uma orientação para evitar a contratação de artistas que se manifestassem politicamente nas redes sociais.
Para o juiz, a mensagem mostrou que a caracterização de Neliton como Nelly Winter foi levada em consideração de forma negativa pelo Sesc.
A sentença também considerou que Débora não falava apenas como uma pessoa particular, pois participava da organização do lançamento em nome da instituição.
A Justiça entendeu ainda que não era necessário haver um cancelamento formal do evento para reconhecer a discriminação.
Segundo a decisão, depois da mensagem, não houve comprovação de aprovação do material de divulgação, liberação efetiva do espaço ou autorização para que Neliton participasse caracterizado como Nelly Winter.
A ação foi apresentada pela Aliança Nacional LGBTI+, que pediu R$ 700 mil em indenização.
O juiz reconheceu que o episódio atingiu valores ligados à igualdade, à não discriminação e à liberdade de expressão artística, mas fixou a indenização em R$ 150 mil.
O valor será destinado ao fundo previsto na Lei da Ação Civil Pública.
O Sesc também deverá criar, em até 90 dias, um protocolo com regras para analisar projetos culturais e pedidos de uso de espaços em suas unidades de Mato Grosso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mato Grosso.