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Ciência

O olhar mais aguçado das pesquisas qualitativas

Pesquisa FAPESP ·
O olhar mais aguçado das pesquisas qualitativas

Por décadas, a pesquisa qualitativa foi vista com descon­fiança pela comunidade científica, ficando em segundo plano por ser considerada excessivamente subjetiva.

Na última década, porém, as abordagens desse tipo têm passado por um processo de refinamento metodológico, tornando­-se ferramentas importantes para buscar respostas a per­guntas complexas.

Em uma nova fronteira desse processo estão os métodos mistos, cada vez mais sofisticados, que buscam integrar abordagens qualitativas e quantitativas.

Esse modelo tem se mostrado útil para pesquisadores que investigam questões tão diversas como a experiência subjetiva de pacientes de esquizofrenia durante um tra­tamento de longo prazo, a redução da vacinação infan­til ligada à desinformação, as transições socioambientais produzidas por iniciativas de desenvolvimento sustentá­vel na Amazônia ou os diversos fatores associados à saúde mental de estudantes universitários.

Os métodos da pesquisa qualitativa, que envolvem abordagens como entrevistas aprofundadas ou grupos focais (ou seja, o acompanhamento das conversas sobre um tema que acontecem entre os membros de um grupo pequeno de pessoas), buscam investigar aspectos que não são fáceis de transformar em números.

Eles ajudam a entender a percepção subjetiva das pessoas e os significados que elas atribuem aos fenômenos.

O avanço da abordagem é particularmente evidente na área da saúde.

Nas últimas décadas, seu emprego cresceu em publicações de revistas científicas biomédicas, de saúde pública e das diversas profissões clínicas.

Na pla­taforma PubMed, o número de artigos passou de pouco mais de 2.000 em 1980 para mais de 26 mil em 2000.

Em 2020, já eram mais de 230 mil, e o número quase dobrou de lá para cá, chegando a 425 mil em 2026 .

Para o psiquiatra Egberto Ribeiro Turato, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), essa explosão está associada ao crescente interesse pela humanização das atividades clí­nicas, que passaram a exigir a compreensão das dimen­sões emocionais e sociais.

“Na área de saúde, os métodos quantitativos sempre foram muito valorizados, porque os resultados estatísti­cos explicam os nexos causais entre os fenômenos do adoe­cimento e dos cuidados.

Mas cada vez mais a comunidade científica sentia necessidade de métodos capazes de respon­der como pacientes, familiares e os próprios profissionais clínicos vivenciam os fenômenos humanos”, afirma Turato.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.

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