PF apura relato de que dinheiro de agiota era levado a Carlos Brandão
A Polícia Federal (PF) investiga o relato de Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato do empresário João Bosco, de que buscava dinheiro com o agiota Josival Cavalcanti da Silva, o Pacovan, para entregá-lo ao governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB).
Segundo o depoimento, valores também teriam sido levados para dentro do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, e entregues a Daniel Brandão, sobrinho do governador e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), atualmente afastado por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em depoimento prestado à PF em 19 de fevereiro, Gilbson afirmou que chegou a levar dinheiro ao palácio e entregá-lo a Daniel.
Segundo ele, os valores seriam destinados a Carlos Brandão.
“Eu tô falando o fato do Pacovan, que eu pegava dinheiro deles, dele para levar pro Carlos, inclusive levei valores para dentro do palácio, entendeu? Entreguei para pro Daniel e aí eles e como houve esse atrito, ele estava tipo com medo de eu falar alguma coisa em plena campanha que pudesse atrapalhar a reeleição do Carlos e qualquer coisa”, disse Gilbson à PF.
Leia também Manoela Alcântara PF investiga senador Weverton por obstrução em sindicância contra grupo de Brandão Brasil Paraná Pesquisas: Braide tem 34,6% e Brandão 30,3% ao governo do MA De acordo com Gilbson, havia ainda divergências envolvendo a divisão de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
A PF aponta que o conflito que culminou na morte de Bosco teria sido motivado por “dissensões na partilha de recursos provenientes de uma dívida prescrita com fonte do Fundeb”.
Aos investigadores, Gilbson afirmou ainda que o cenário de desconfiança e disputa financeira fez com que Daniel marcasse uma reunião em um edifício sob o argumento de que iriam “resolver isso”.
Gilbson disse à PF que, durante o encontro, percebeu que seria alvo de uma emboscada para matá-lo.
Segundo sua versão, ele então atirou em Bosco, que morreu.
Em nota, a defesa de Carlos Brandão classificou as imputações como inconsistentes e questionou a competência do STF para conduzir as investigações (leia a íntegra abaixo) .
Os advogados sustentam que eventuais apurações contra o governador deveriam tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e alegam que as medidas avançaram sem o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Sobrinho O nome do sobrinho do governador aparece nas apurações da PF sobre a morte de Bosco.
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