Extrema direita da América Latina e Trump fecham acordo contra narcoterrorismo: ‘Um espantalho para poder intervir no continente’
Os 14 países integrantes do Escudo das Américas, grupo de governantes de extrema direita da América Latina organizado por Donald Trump, assinaram um acordo nesta terça-feira (22) que considera 24 facções narcotraficantes como “ameaças compartilhadas”, tornando-as alvos de sanções conjuntas. Os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) estão entre os citados.
O acordo é mais uma tentativa de ingerência dos Estados Unidos sobre o continente, além de se configurar como um cerco para o governo brasileiro e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontam os especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato .
“Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é aquela representada por organizações narcoterroristas transnacionais — as quais põem em risco a paz e a segurança do hemisfério, bem como a segurança e a prosperidade de nossos cidadãos —, anunciamos hoje a primeira ação conjunta no âmbito de nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo”, diz o documento divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
“É uma maneira de [Trump] criar a polícia continental, que eles nunca tiveram, que os Estados Unidos nunca conseguiram implantar”, aponta o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Gilberto Maringoni. Em pelo menos três ocasiões, os Estados Unidos criaram mecanismos para garantir o domínio sobre a América Latina. Com a Doutrina Monroe, criada em 1823, que estabelecia uma “aliança” contra a colonização europeia e que foi reeditada por Franklin Roosevelt, no início do século 20, para proteger o continente da “ameaça comunista”. Em 1947, foi assinado o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), que tinha como base a “doutrina da defesa hemisférica”, mas que nunca foi implantado.
“Lá o inimigo era o comunismo. Agora é o narcoterrorismo.
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