Juros americanos disparam e B3 lança quatro novos contratos para negociar títulos dos EUA
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos atingiram recentemente os maiores patamares em mais de duas décadas, em meio às preocupações com a inflação, o endividamento americano e os rumos da política monetária do país.
É nesse cenário que a B3 (B3SA3) estreia, nesta terça-feira (13), quatro novos contratos futuros que permitem aos investidores brasileiros negociar as oscilações desses títulos sem precisar enviar dinheiro ao exterior.
Os lançamentos ampliam as alternativas de investimento e proteção ligadas aos juros americanos disponíveis na bolsa brasileira, que já oferece um contrato futuro de títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos.
A novidade chega em um momento de forte volatilidade.
O rendimento dos títulos americanos de dez anos, uma das principais referências para o mercado financeiro global, chegou a superar 5,3%, patamar não observado desde 2002.
Por que os juros americanos estão subindo? Para Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital, a escalada dos rendimentos não significa necessariamente que os investidores passaram a desconfiar da capacidade de pagamento do governo americano.
Segundo ele, o movimento resulta de uma combinação de fatores: a alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio, as preocupações com o déficit fiscal dos Estados Unidos e a crescente demanda por financiamento para investimentos em inteligência artificial.
Esse último fator tem ganhado importância.
Com as empresas de tecnologia buscando bilhões de dólares para construir centros de processamento de dados e ampliar sua infraestrutura, aumenta a competição por recursos no mercado de dívida, pressionando as taxas de juros.
Ao mesmo tempo, investidores exigem uma remuneração maior para emprestar dinheiro por períodos mais longos, diante das incertezas sobre a inflação e a trajetória das contas públicas americanas.
Cabral observa que a alta dos juros de longo prazo não está restrita aos Estados Unidos.
Títulos públicos de países como Japão, França, Alemanha e Reino Unido também registraram rendimentos em máximas de várias décadas, indicando um movimento mais amplo de reajuste das taxas no mercado internacional.
Outro elemento de incerteza é a condução do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), presidido por Kevin Warsh.
Em setembro, a instituição elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, diante da persistência da inflação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.