Uma reparação para Márcia Mura
Porto Velho (RO) – O retorno da educadora indígena Márcia Mura à Escola Estadual Professor Francisco Desmorest Passos, no distrito de Nazaré, em Porto Velho, representa o desfecho de uma luta marcada por denúncias de racismo institucional, perseguição política e apagamento da memória indígena dentro da educação pública de Rondônia.
Após três anos e seis meses de embates administrativos e resistência, Márcia voltou à escola em 07 de fevereiro de 2025, retomando as atividades com turmas do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio em mediação tecnológica (formato frequentemente utilizado em regiões remotas como nas comunidades rurais e ribeirinhas de Rondônia, exige adaptação e garante a continuidade do processo de ensino e aprendizagem).
O reencontro com a comunidade foi registrado em vídeo publicado pela educadora nas redes sociais onde na legenda ela descreveu como foi o processo para conseguir retornar.
Conhecida também pelo nome indígena Tanamak, recebido no território Mura Itaparanã por meio do Pandé (pajé), Márcia define sua trajetória como uma caminhada de defesa dos territórios, da memória e da afirmação indígena na Amazônia.
Tanamak significa “grande guerreira”.
Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) , ela atua em comunidades ribeirinhas no processo de recuperação da memória do povo Mura e de outros povos indígenas, desenvolvendo o que chama de “pedagogia da afirmação indígena”, tanto nas escolas quanto nos espaços comunitários.
A saída da professora de Nazaré ocorreu durante a pandemia de Covid-19.
Segundo Márcia, a perseguição começou por causa do trabalho pedagógico voltado à valorização da história e da memória indígena dentro do currículo escolar.
A perseguição à educação indígena Márcia Mura (Foto cedida por Xênia Barbosa/2021) Em entrevista à agência Amazônia Real , a educadora disse que enfrentava resistência de pais de alunos e da equipe pedagógica da escola, que criticavam o fato de ela não seguir exclusivamente o livro didático e desenvolver atividades voltadas às identidades indígenas da região.
“Todas as minhas aulas atravessavam a memória indígena e a história do Rio Madeira.
Eu fazia o diálogo entre o local e o global.
A equipe pedagógica dizia que eu repetia sempre o mesmo assunto e que eu deveria usar apenas o livro didático.
Mas eu nunca deixei de usar o livro.
O problema era que eu também colocava a realidade do território dentro da sala de aula”, afirma Márcia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em amazoniareal.com.br — o conteúdo pertence a Amazônia Real.