PIB e emprego: estudos apontam efeitos do fim da escala 6×1 no cenário macroeconômico
A redução iminente da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode ter consequências distintas para a economia brasileira, a depender da capacidade das empresas de reorganizar suas operações e dos ganhos de produtividade que possam ocorrer.
Diferentes estudos tentam dimensionar esses efeitos, chegando a resultados distintos para a atividade econômica e o mercado de trabalho.
As estimativas vão de uma retração de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), a perdas de renda de até 3,3% em um exercício da FGV Ibre.
Para o emprego formal, o CLP calcula que mais de 638 mil postos poderiam ser eliminados.
Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) argumenta que os custos da redução da jornada seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo , o que indicaria capacidade de adaptação do mercado de trabalho.
Os resultados não são diretamente comparáveis, pois as pesquisas adotam metodologias, hipóteses e horizontes temporais diferentes.
Ainda assim, apontam para a importância de fatores como a produtividade, o peso da mão de obra nas despesas das empresas e a distribuição das jornadas entre os setores econômicos.
O Senado aprovou, em dois turnos , a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 , com garantia de dois dias de descanso semanal, preferencialmente aos domingos, e a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas por semana, sem diminuição salarial.
Trata-se da primeira redução de jornada desde a Constituição de 1988, que fixou o teto de 44 horas.
O texto segue para promulgação.
Continua após a publicidade A votação em dois turnos ocorreu nesta quarta-feira, 14, e a medida contou com o apoio de 75 senadores, ante 1 que votou contra .
Projeções para a atividade econômica O estudo do Banco Inter , divulgado em abril de 2026, calcula que a redução da jornada semanal para 40 horas poderia diminuir o PIB em cerca de 0,82% no médio prazo.
A análise utiliza um modelo setorial para avaliar como a elevação dos custos de produção afetaria atividades com diferentes estruturas produtivas.
Segundo o levantamento, a redução das atuais 44 horas para 40 horas semanais estaria associada a um aumento agregado de 0,47% na produtividade .
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