Guerra no Irã virou 'círculo difícil de romper', e mundo pode sofrer falta de diesel, diz especialista
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Passados meses de confronto entre Estados Unidos e Irã , o mundo segue sem sinais concretos de que a guerra no Oriente Médio está próxima do fim. Para o vice-presidente sênior da consultoria S&P Global, Carlos Pascual, o conflito entrou em um impasse que nenhum dos dois lados consegue resolver sozinho.
Ex-embaixador dos Estados Unidos no México e na Ucrânia e especialista em geopolítica, Pascual diz que Washington e Teerã enfrentam limites para pôr fim ao confronto, o que criou um ciclo de tréguas e retomada de hostilidades difícil de romper.
Essa situação deve manter a volatilidade do preço do petróleo e criar um risco adicional, já que a paralisação de refinarias no Oriente Médio e o aumento das tensões entre Ucrânia e Rússia reduziram a oferta global de diesel em um momento de estoques já abaixo da média histórica.
Em entrevista à Folha , Pascual diz que o Brasil pode emergir como fornecedor confiável de petróleo num mundo pós-guerra e defende a abertura de novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial . "Imaginar que o petróleo vai desaparecer em poucos anos simplesmente não é realista."
Por quanto tempo o sr. acha que essa guerra vai durar? Não sabemos. Os EUA têm limites políticos quanto ao uso da força. O Irã tem limites para continuar atacando, porque precisa do estreito de Hormuz para exportar seus produtos. Ao mesmo tempo, há um ambiente de insegurança e desconfiança.
Para o Irã, essa é uma guerra existencial —trata-se, de fato, de saber se o regime sobreviverá. No caso dos Estados Unidos, o presidente Trump apresentou a situação, desde o início, como uma incursão, e isso impõe limites à capacidade de manter uma presença.
A estratégia americana tem suas próprias tensões e limitações: parte dela envolve a escolta de navios. Há um limite de talvez cerca de 30 embarcações que podem ser escoltadas diariamente, ante um tráfego normal de 135. Portanto, essa estratégia cria um embargo de 75%.
No início, havia a expectativa de que a inflação nos EUA forçaria Trump a recuar. Por que isso não aconteceu? O aumento da inflação não foi tão grave quanto se acreditava. Algumas medidas ajudaram a equilibrar o mercado. A China reduziu suas importações de petróleo em cinco milhões de barris por dia. Somando todos os países, houve uma redução da demanda de cerca de oito milhões de barris por dia.
Mas há limites. Em determinado momento, é preciso recompor os estoques. Os países voltarão ao mercado. E é isso que gera tanta instabilidade e incerteza. É um cenário de conflito latente: não é paz, mas também não chega a ser guerra, e isso permite que as mercadorias sejam escoadas em diferentes momentos, reduzindo parte da tensão.
Surgem declarações sobre um possível acordo, criando a expectativa de paz. Depois, outros fatores podem entrar em jogo, muitas vezes por iniciativa do Irã, para demonstrar seu compromisso de manter o controle do estreito. E acabamos entrando novamente em um ciclo de conflito.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.