Caixa e Corinthians: Lula pediu uma solução ao banco estatal. Quem vai fiscalizar a negociação?
Em 16 de setembro, o presidente Lula declarou publicamente que estava tentando ajudar o Corinthians e contou ter falado com o presidente da Caixa para que o banco propusesse uma solução nova para a dívida do clube.
Um mês depois, a nove dias do segundo turno, Caixa e Corinthians se reuniram em Brasília com a presença de um ministro de Estado e de dirigentes da Gaviões da Fiel.
Saíram de lá com um termo de confidencialidade.
Primeiro, o presidente-candidato manifesta interesse em ajudar um clube.
Depois, um ministro senta à mesa da negociação da dívida desse clube com um banco público.
Por fim, as partes assinam um termo de confidencialidade.
Cada fato, sozinho, admite explicação.
A sequência exige resposta.
O presidente pediu.
Quem decide na Caixa? A dívida gira em torno de R$ 640 milhões.
A Caixa é empresa pública federal, sujeita à impessoalidade e à moralidade do art.
37 da Constituição, e a Lei das Estatais existe para proteger suas decisões da vontade do governante de turno.
Quando quem nomeia e demite o presidente do banco diz em público que pediu ajuda para o seu time, a decisão deixa de parecer técnica antes mesmo de ser tomada.
O Corinthians tem todo o direito de renegociar.
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