Revolução silenciosa: o comprimido que mandou o açúcar para o xixi e ainda salvou rins e coração
Em setembro de 2015, durante o congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes , em Estocolmo, na Suécia, um resultado fez a plateia de endocrinologistas e cardiologistas se levantar e bater palmas.
O estudo EMPA-REG OUTCOME , publicado simultaneamente no reputado periódico New England Journal of Medicine , mostrava que a empagliflozina, um comprimido para controlar o açúcar no sangue, reduzia mortes por problemas cardiovasculares.
Hoje sabemos bem: aquele dia dividiu a diabetologia, o campo da medicina dedicado ao diabetes, em antes e depois.
Para entender o tamanho da surpresa, é preciso retratar o clima da época.
Poucos anos antes, uma análise havia levantado a suspeita de que um remédio para diabetes muito usado poderia aumentar o risco de infarto.
O episódio levou a agência americana FDA a exigir, a partir de 2008, que todo novo fármaco provasse ao menos não fazer mal ao coração.
A pergunta, portanto, era defensiva.
Ninguém esperava que uma medicacao fosse capaz de proteger o coração .
Continua após a publicidade O EMPA-REG acompanhou 7.020 pessoas com diabetes tipo 2 e que já tinham tido doença cardiovascular.
Entre quem recebeu placebo, a pílula sem princípio ativo, 5,9% morreram de causa cardiovascular ao longo de pouco mais de três anos; entre quem tomou empagliflozina, foram 3,7%.
Uma redução relativa de 38%.
As mortes por qualquer causa caíram 32% e as internações por insuficiência cardíaca reduziram-se em 35%.
Açúcar pela urina Muita gente olhava para essa classe de medicamentos com certa estranheza.
Os inibidores de SGLT2, família da empagliflozina, agem nos rins bloqueando uma proteína que reabsorve a glicose filtrada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.