"Boom" eleitoral: como pequenos negócios se preparam para faturar mais nas eleições
A preparação de Gildo Gonçalves para as eleições de 2026 começou três meses antes do aumento esperado nas encomendas.
Dono da Brinde Bom, empresa especializada em produtos personalizados, ele reforçou os estoques e investiu na capacitação da equipe para atender à demanda que surge a cada dois anos.
A expectativa é que o período eleitoral acrescente cerca de 20% ao faturamento do negócio.A empresa existe há quatro anos, mas a experiência de Gonçalves no segmento é anterior.
Ele trabalha há 16 anos com brindes personalizados e também mantém outra empresa no ramo.
A prática acumulada em datas comemorativas e eventos ensinou ao empresário que o resultado de uma temporada de vendas começa a ser definido antes da chegada dos pedidos.“Já estamos acostumados a trabalhar com brindes sazonais, mas, a cada dois anos, em períodos eleitorais, essa demanda cresce.
Começamos a nos preparar pelo menos três meses antes, reforçando estoque e capacitando a mão de obra”, afirma.Chaveiros, camisetas e bonés estão entre os produtos mais procurados na empresa.
Os bonés, segundo Gonçalves, têm valor unitário maior e exercem impacto mais significativo sobre o faturamento.
Nos últimos ciclos eleitorais, o acessório também ganhou visibilidade como elemento de identificação política, usado por candidatos, apoiadores e participantes de atos de diferentes campos ideológicos.A comercialização desse tipo de produto, porém, exige atenção à finalidade da encomenda.
A legislação eleitoral proíbe a confecção, a utilização e a distribuição, por comitês e candidatos ou com a autorização deles, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas e outros brindes que possam proporcionar vantagem ao eleitor.
O TSE admite camisas destinadas a trabalhadores de campanha, desde que não sejam entregues ao eleitorado e respeitem as condições estabelecidas nas normas.
Para o fornecedor, conhecer o uso que será dado ao material ajuda a evitar contratos incompatíveis com as regras eleitorais.O movimento percebido por Gonçalves integra uma cadeia de contratações abastecida pelos recursos destinados às campanhas.
Em 2026, aproximadamente R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha serão distribuídos entre 30 partidos.
O dinheiro público é destinado ao custeio da disputa eleitoral e chega ao mercado por meio da contratação de fornecedores de diferentes áreas.Para André Maciel, analista de Inteligência de Mercado do Sebrae, as eleições formam um mercado de alta rotatividade financeira e demanda concentrada em poucos meses.
A proibição das doações empresariais e as mudanças na organização das campanhas contribuíram, segundo ele, para descentralizar parte das contratações.“Os recursos das campanhas deixaram de se concentrar apenas em grandes agências.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.