Governo quer repetir modelo da Operação Carbono Oculto a cada dois meses contra lavagem de dinheiro
Dario Durigan Washington Costa/MF O governo federal pretende transformar a Operação Carbono Oculto em uma ação permanente de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.
A estratégia foi anunciada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, nesta segunda-feira (31), durante o Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual.
Segundo Durigan, a Receita Federal desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de monitorar continuamente fundos de investimento e setores considerados mais vulneráveis à atuação do crime organizado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A expectativa é que a tecnologia permita realizar, a cada dois meses, uma grande ofensiva contra esquemas de lavagem de dinheiro.
"Nós conseguimos botar de pé um sistema de inteligência artificial que vai usar essas informações olhando para os fundos do país, olhando para o mercado de postos de combustível e outros em que a gente vai conseguir otimizar e fazer uma Carbono Oculto a cada dois meses no país, se a gente tiver o compromisso político de avançar contra o crime organizado, em especial a lavagem de dinheiro no andar de cima", afirmou.
Agora no g1 A iniciativa foi desenvolvida com base nas informações obtidas durante a Operação Carbono Oculto, realizada há um ano.
A investigação, conduzida pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Ministério Público, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Secretaria da Fazenda paulista, revelou como organizações criminosas utilizavam postos de combustíveis para ocultar patrimônio e lavar dinheiro por meio de fundos de investimento e outras estruturas do mercado financeiro.
O esquema alcançou empresas de investimentos, fundos e fintechs, permitindo mapear os mecanismos usados pelo crime organizado para movimentar recursos ilícitos.
Crime organizado na Faria Lima: por que fintechs viraram meio 'fácil' de lavar dinheiro? Como parte das ações que marcaram o primeiro aniversário da operação, a Receita Federal cancelou, na última sexta-feira (28), cerca de mil CNPJs vinculados a contas bancárias consideradas comprometidas, impedindo essas empresas de emitir notas fiscais.
Segundo Durigan, o sistema de inteligência artificial foi treinado com base nos padrões identificados durante a Operação Carbono Oculto.
A tecnologia cruza dados de todos os fundos de investimento do país com informações de setores considerados mais suscetíveis à lavagem de dinheiro, como o de combustíveis.
O objetivo é identificar movimentações incompatíveis com o perfil dos investimentos, estruturas usadas para ocultar patrimônio e indícios de lavagem de dinheiro, direcionando as ações de fiscalização da Receita Federal.
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