Estudo traça provável rota usada por "exército de elefantes" de Aníbal
Estudo traça provável rota usada por "exército de elefantes" de Aníbal - Pesquisa indica que a passagem pelo Col de la Traversette, na atual fronteira entre França e Itália, oferecia as condições mais favoráveis para o avanço das tropas cartaginesas lideradas por Aníbal em 218 a.C.Como Aníbal conseguiu conduzir um exército acompanhado de elefantes de guerra através dos Alpes para atacar Roma continua sendo tema de debate entre historiadores. Um novo estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sugere, porém, qual teria sido a rota mais provável da travessia.
A passagem pelos Alpes, em 218 a.C., permitiu ao líder cartaginês atacar os romanos pelo norte e é considerada um dos feitos mais notáveis da história militar.
Aníbal liderou uma das expedições militares mais ousadas da história antiga: partiu da Península Ibérica, cruzou a cordilheira dos Pirineus e o sul da Gália (região hoje situada na França, Bélgica e Suíça) e atravessou os Alpes com 37 elefantes para atacar a República Romana.
Pesquisadores da Alemanha e do Reino Unido analisaram as exigências energéticas enfrentadas tanto pelos soldados quanto pelos elefantes durante a travessia. Os resultados indicam que o caminho mais provável foi o Col de la Traversette, um passo alpino situado a 2.947 metros de altitude, na atual fronteira entre França e Itália. Atualmente, a passagem fica entre a francesa Grenoble e a italiana Turim.
Para chegar à conclusão, a equipe utilizou modelos de rotas e dados de elevação para calcular o esforço físico exigido de um exército estimado em cerca de 40 mil soldados, 7 mil cavalos e 37 elefantes de guerra. Os pesquisadores recorreram a dados sobre a massa corporal de elefantes africanos modernos para estimar o gasto energético dos animais.
"O novo estudo não elimina todas as dúvidas, mas reforça os argumentos em favor da rota da Traversette ao demonstrar que ela se adequava melhor às exigências de deslocar um grande exército, incluindo elefantes, por um terreno alpino extremamente difícil", afirmou o coautor Emilio Berti, do Centro Alemão de Pesquisa Integrativa da Biodiversidade (iDiv), em comunicado divulgado pela Universidade de Jena.
Segundo o estudo, outras rotas consideradas por historiadores exigiriam mais energia para serem percorridas. O Col de Montgenèvre demandaria 11% mais esforço, o Col du Clapier, 16%, e o Col du Mont Cenis, 19%.
Os modelos também mostram o impacto físico da travessia sobre os soldados. De acordo com os cálculos, os homens que percorreram a rota da Traversette teriam perdido cerca de 19% de suas reservas de gordura corporal, fator que pode ajudar a explicar o alto número de mortes durante a expedição.
No caso dos elefantes, a perda estimada foi de apenas 4% das reservas energéticas.
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