Três reis assírios podem ter sido apagados da lista oficial e pistas espalhadas por tabuletas, uma estela e uma estátua estão reconstruindo seus reinados
Novas leituras de documentos cuneiformes revelam governantes breves e disputas pelo trono escondidas pela narrativa oficial assíria
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Durante cerca de um século, a Lista de Reis Assírios foi tratada como uma sequência relativamente segura dos governantes da Assíria. Uma reanálise publicada em 2026, porém, propõe que três reis assírios de reinados muito curtos ficaram fora dessa narrativa oficial , deixando rastros em documentos independentes dos séculos X e VIII a.C. A descoberta transforma uma sucessão aparentemente ordenada em um cenário marcado por rebeliões, deposições e disputas dinásticas.
Alexander Johannes Edmonds, da Universidade de Münster, e Eckart Frahm, da Universidade Yale, identificaram evidências de um Aššur-uballiṭ que teria governado por volta de 913–912 a.C., de um Tiglath-pileser rebelde em 763–762 a.C. e de um Shalmaneser situado aproximadamente entre 747 e 745 a.C.
Nenhum deles aparece na sequência tradicional da Lista de Reis Assírios. Segundo os pesquisadores, todos chegaram a ser entronizados em Aššur e receberam apoio de pelo menos parte do reino, mas foram derrotados ou depostos antes de consolidarem poder suficiente para permanecer na versão canônica da história.
O caso mais direto envolve Tiglath-pileser. Uma tabuleta de concessão real preservada no British Museum, datada de 762 a.C., menciona um rei com esse nome numa época em que nenhum dos Tiglath-pileser conhecidos oficialmente poderia estar governando. A Crônica dos Epônimos registra ainda uma revolta em Aššur nos anos 763 e 762 a.C.
Os outros casos dependem da combinação de vestígios. Uma estela de Tell ‘Abta apresenta sinais de alteração do nome real, enquanto uma inscrição sobre um recipiente ritual de prata menciona Aššur-uballiṭ. Uma estátua real mutilada encontrada em Aššur pode estar associada ao mesmo episódio sucessório.
Este vídeo apresenta objetos e inscrições da civilização assíria preservados e estudados atualmente.
Os autores argumentam que a lista não funcionava necessariamente como um arquivo neutro preocupado em registrar qualquer pessoa que tivesse ocupado o trono. Ela pode ter servido como um cânone legitimador, preservando uma sucessão ideal na qual governantes derrotados, concorrentes ou politicamente inconvenientes simplesmente deixavam de contar.
No caso de Aššur-uballiṭ, a hipótese é particularmente sugestiva: ele pode ter sido o sucessor legítimo de seu pai antes de perder o poder para Adad-nārārī II. Para o novo governante, reconhecer formalmente o predecessor significaria também registrar uma transferência de poder potencialmente problemática.
O Tiglath-pileser ausente da lista teria se levantado contra seu sobrinho Aššur-dān III em 763 a.C. Nesse mesmo ano ocorreu um eclipse solar, fenômeno que no contexto religioso assírio podia ser interpretado como um presságio ameaçador para o rei. O período também foi precedido por uma epidemia registrada em 765 a.C.
O estudo publicado no Journal of Cuneiform Studies propõe que Tiglath-pileser conseguiu ser entronizado em Aššur durante essa crise, mas Aššur-dān III recuperou o controle posteriormente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.