Como é a trajetória do cotista: da entrada na universidade ao mercado de trabalho
A Lei de Cotas (12.711/2012), que completou 14 anos em 2026, alterou o perfil dos estudantes nas universidades públicas brasileiras.
Entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de pessoas ingressaram em instituições federais de ensino por meio de reserva de vagas, segundo o Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Parte dos efeitos dessa política de inclusão também são observáveis no Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre 2010 e 2022, o percentual de pessoas com 25 anos ou mais graduadas em nível superior mais do que duplicou entre pretos e pardos — o aumento entre brancos, no mesmo período, foi em torno de 55%.
Nas universidades públicas do Estado de São Paulo, os impactos da política de cotas também são evidentes: na Universidade Estadual Paulista (Unesp), primeira instituição estadual paulista a adotar o sistema, no vestibular 2014, os ingressantes vindos de escola pública são maioria desde 2017.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por sua vez, foi pioneira entre as estaduais paulistas ao ampliar as cotas, reservando vagas para estudantes trans, travestis e não binários no vestibular 2026.
Já na Universidade de São Paulo (USP), que aderiu às cotas no vestibular 2018, 28,3% dos ingressantes se declararam pretos, pardos e indígenas (PPI) em 2025.
Os caminhos da Lei de Cotas 2012 : A Lei nº 12.711 criou a reserva de vagas nas instituições federais de ensino.
Pelo menos 50% das vagas passaram a ser destinadas a estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas.
Dentro dessa reserva, são considerados critérios de renda familiar e de pertencimento étnico-racial.
2016 : A Lei nº 13.409 incluiu as pessoas com deficiência entre os beneficiários da reserva de vagas.
2023 : A Lei nº 14.723 trouxe mais mudanças com a inclusão de quilombolas, a redução do limite de renda familiar per capita de 1,5 para 1 salário mínimo e a alteração do mecanismo de ingresso.
Os candidatos às cotas passam primeiro pela ampla concorrência e, caso não sejam aprovados, disputam as vagas reservadas.
Apesar de a legislação garantir direito de acesso à graduação, o desafio que se impõe para os beneficiários dessa política pública é o da permanência no espaço acadêmico.
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