'Acampamento Miasma', com sexo e sangue, exorciza a vergonha de ser LGBTQIA+
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O orgasmo e a morte estão ligados. No prazer máximo, como no fim da vida, a individualidade se dissolve e perdemos o controle de nós mesmos —assim, o filósofo Georges Bataille batizou o gozo de "pequena morte". Esse é também o nome do assassino de " Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte ", que sai das profundezas de um lago para perfurar corpos e decepar cabeças de jovens desavisados.
A semelhança do enredo com outras produções do terror não é coincidência. O novo filme de Jane Schoenbrun é uma espécie de fábula "slasher", subgênero em que sangue espirra para todo o lado. Há uma mensagem sublime, porém, sobre como o cinema —e a cultura, no geral— castrou mulheres e pessoas queer por décadas com narrativas estereotipadas e padronizadas.
Schoenbrun parece usar o conceito de Bataille para fantasiar sobre uma libertação queer, o gozo, a partir da deglutição desses traumas.
"Somos todos sexualmente ferrados, porque os impulsos sexuais estão presentes desde o início [da vida]. E antes mesmo de aprendermos a falar, já somos moldados pelo mundo ao nosso redor, que é doente, misógino e repleto de uma violência que carregamos dentro de nós", disse Schoenbrun, na sala de um hotel no último Festival de Cannes .
"Acampamento Miasma" foi coroado com a Palma Queer no evento, o mais importante do cinema, em maio. Gillian Anderson recebeu o troféu por Schoenbrun, e foi ovacionada no palco da festa LGBTQIA+ no calçadão da Riviera Francesa. A atriz, conhecida pelas séries "Arquivo X" e " Sex Education ", protagoniza o longa ao lado de Hannah Einbinder , estrela de " Hacks ".
Na ficção, as duas vivem um romance intenso e brutal. Einbinder interpreta Chris, uma cineasta incumbida de fazer um novo capítulo para o terror "Acampamento Miasma", sucesso fictício dos anos 1980 espremido à exaustão em várias continuações.
O enredo gira em torno do serial killer Pequena Morte e de uma mocinha bonita e indefesa, que fala pouco e é alvo constante de cantadas. A franquia, claro, envelheceu mal, e precisa ser renovada para os tempos modernos. Quando Chris vai visitar a locação onde "Acampamento Miasma", o filme dentro do filme, foi gravado, ela encontra Billie, atriz que encarnou a mocinha no passado. Excêntrica e sensual, ela mora num chalé isolado na montanha.
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