Corrida presidencial brasileira terá reflexos em toda a América Latina, avalia cientista político
RFI Convida Corrida presidencial brasileira terá reflexos em toda a América Latina, avalia cientista político Publicado em: 22/09/2026 - 12:00
Ouvir - 06:10 A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 4 de outubro, a campanha entra na reta final marcada mais por denúncias e ataques entre candidatos do que pela discussão de propostas de governo. Em entrevista à RFI, o cientista político Gaspard Estrada, membro da unidade Sul Global da London School of Economics (LSE), avalia que o ambiente político brasileiro permanece profundamente polarizado e que uma parcela crescente do eleitorado demonstra sinais de esgotamento com a disputa.
Segundo Gaspard Estrada, as pesquisas de opinião apontam não apenas uma disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o conservador Flávio Bolsonaro, mas também um forte desengajamento dos eleitores. “Há uma forma de crítica dos brasileiros à oferta eleitoral. As pesquisas mostram um forte desengajamento nesse pleito, o que pode ter uma tradução muito concreta no dia da eleição, com aumento da taxa de abstenção, embora o voto seja obrigatório”, afirma.
Para o especialista, a polarização observada no Brasil não é um fenômeno isolado. Ele lembra que eleições recentes em outros países da América do Sul também foram decididas por margens mínimas. “Na eleição anterior [2022], a disputa presidencial foi definida por menos de dois pontos. E isso não acontece apenas no Brasil. No Peru e na Colômbia, as últimas eleições também foram definidas por diferenças extremamente estreitas”, ressalta.
Estrada avalia que a sociedade brasileira está dividida entre dois campos políticos consolidados, mas observa que cresce o desejo de parte do eleitorado por uma alternativa às figuras que dominam a cena política nacional há anos.
Nesse contexto surge a candidatura de Augusto Cury, psiquiatra e escritor sem trajetória partidária tradicional. Para Gaspard Estrada, o fenômeno dos outsiders não é novidade na América Latina. Ele cita exemplos como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori e, mais recentemente, Javier Milei na Argentina.
Apesar disso, o cientista político vê limites para o sucesso desse tipo de candidatura no Brasil. “Um país tão grande e tão complexo como o Brasil tem um sistema político muito fragmentado. É difícil, sem fazer alianças, conseguir governar um país deste tamanho”, afirma. Segundo ele, esse cenário reduz as chances de uma candidatura outsider alcançar um desempenho eleitoral expressivo.
Outro ponto destacado pelo cientista político é que embora indicadores econômicos apresentem resultados positivos para o governo Lula, como queda do desemprego, crescimento econômico e redução do desmatamento na Amazônia, boa parte da população não sente esses avanços no dia a dia. “Há um descompasso entre os bons números da macroeconomia e a percepção das famílias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.