Lucy Jones: “Fiquei consternada ao perceber o quanto as mães foram negligenciadas pela ciência”
Lucy Jones é jornalista científica, mãe de três filhos e autora de Matrescência: Sobre a metamorfose da gravidez, do parto e da maternidade (Fósforo, 2026), semifinalista do Women’s Prize for Non-Fiction de 2024.
Entre relatos pessoais e investigações sobre a continuidade da vida em diferentes espécies, LJones entrelaça descobertas recentes e atrasos da ciência sobre as transformações físicas, mentais e sociais que mulheres de diferentes culturas experienciam ao gestar, dar à luz e ser mãe – sobretudo em contextos de isolamento social e hiperidealização da maternidade.
O nome do livro vem do termo “matrescência, cunhado nos anos 1970 e que equipara as mudanças do período às da infância e da adolescência, de tão intensas (e duradouras) que são.
Jones vive na Inglaterra, de onde conversou com a Superinteressante para uma reportagem sobre a neurociência da maternidade e os desafios da sociedade para cuidar da saúde mental durante e após o parto ( leia aqui ).
A seguir, você confere o papo completo.
Os perigos ocultos dos peptídeos para as mulheres Continua após a publicidade 1) Super : Você reúne diversos estudos que mostram que a matrescência só muito recentemente passou a ser objeto de atenção científica, e que ainda sabemos surpreendentemente pouco sobre o corpo feminino.
Como jornalista de ciência, como foi perceber que temos um conhecimento vasto e sofisticado sobre assuntos que nem nos afetam diretamente, enquanto a maternidade e o corpo feminino continuam tão pouco explorados e compreendidos? Lucy Jones: Fiquei impressionada ao descobrir as mudanças biológicas e físicas que ocorrem durante a gravidez, o parto e a maternidade inicial.
Antes de ter um filho, eu não fazia ideia de que o cérebro muda de forma e sofre alterações em tantas áreas diferentes, que essas mudanças permanecem ao longo do tempo e são tão significativas quanto as da adolescência.
Também não sabia que células do bebê permanecem no corpo da mãe — e vice-versa — por motivos que os cientistas ainda estão tentando compreender.
Relacionado a isso, também descobri que o cérebro do pai e de outros cuidadores pode mudar profundamente, dependendo de diferentes fatores.
Continua após a publicidade Fiquei chocada com a quantidade de desinformação, de nomenclaturas equivocadas, de obscurecimento e de tabus em torno da saúde e da experiência maternas.
Foi perturbador perceber que tornar-se mãe é, na verdade, uma transformação enorme para quem materna, muito maior do que me haviam feito acreditar.
A maternidade costuma ser apresentada como um evento hormonal passageiro, um papel “natural” a ser desempenhado, algo simples e leve.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em super.abril.com.br — o conteúdo pertence a Superinteressante.