O fantasma de Diana: Charles ainda pena à sombra da mulher rejeitada
Os dois Charles da vida de Diana estão numa guerra de palavras — e elas continuam a ferir, mesmo que a chocante morte da princesa, que no ano que vem completa trinta anos, já tenha perdido sua capacidade de mobilizar multidões.
Diana continua a ser um marco grande na memória nacional e a contrariar o ex-marido por ter dito “vamos nos esquecer dela logo mais”, a frase “monstruosa” que Charles Spencer conta ter ouvido do ex-cunhado.
O irmão caçula de Diana também afirmou que seu xará e ex-cunhado ficou “embevecidamente exultante” com a morte da mulher que pairava sobre seus planos de se casar com aquela a quem realmente amava, Camilla, hoje a rainha consorte.
É uma afirmação pesada, que levou o rei a transgredir a política de nunca comentar o que falam sobre ele.
Numa nota magnificamente escrita, com aquela linguagem de quem enfia o punhal com a maior elegância, o Palácio de Buckingham desferiu: “Sua Majestade tem consciência de que a dor do luto fraterno pode anuviar a razão, afetar o julgamento e tingir a memória”.
Ou seja, um desmentido radical.
Spencer reafirmou tudo e deu detalhes sobre o telefonema que coloca no contexto a conversa: os dois haviam divergido sobre a presença dos dois filhos de Diana, então com apenas 15 e 12 anos, no cortejo fúnebre.
Segundo uma interpretação da época, Charles queria a presença dos filhos como uma espécie de escudo protetor: temia ser alvo de vaias e até de ataques físicos de um público revoltado com a morte de Diana, atribuída à forma como ele a negligenciou, humilhou e por fim descartou.
Continua após a publicidade O CANTO DO CISNE O tempo amainou muito dessa reação visceral da época, mas o fato é que, 29 anos depois da morte de Diana num acidente de automóvel em Paris propiciado por um namorado desmiolado, que colocou um motorista bêbado para tentar despistar os paparazzi, Charles ainda não se livrou do fantasma da princesa.
Ele conseguiu se casar com Camilla, como queria, depois se tornou rei num ambiente sem turbulências e desfruta de um nível razoável de aprovação.
Mas toda vez que o nome de Diana reaflora, como agora com o livro do irmão (O Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã), sobem juntos os sentimentos de condenação a Charles.
Acrescentados de detalhes novos de fazer virar o estômago dos admiradores de Diana: antes do casamento, segundo o conde Spencer, Charles disse que estava feliz por se casar, mas não era apaixonado por ela.
Que marido diz uma coisa dessas? Junto com a comiseração que a tragédia de Diana sempre evoca, também vêm as fontes anônimas do entorno do rei.
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