Mulher tenta reverter prisão perpétua após matar parentes com cogumelos
Erin Patterson, condenada à prisão perpétua por matar três parentes com cogumelos venenosos, volta na quarta-feira (19) ao tribunal australiano para tentar anular as condenações, informa o The Independent.
A Corte de Apelação do estado de Victoria, em Melbourne, fará uma audiência de dois dias a partir de quarta-feira (19). Três juízes vão decidir se há fundamentos para que o caso avance a uma apelação completa.
Patterson, de 51 anos, foi condenada pelos assassinatos de Don e Gail Patterson, ambos de 70 anos, e de Heather Wilkinson, de 66. Ela também recebeu condenação por tentar matar Ian Wilkinson, marido de Heather, que sobreviveu após ficar gravemente doente.
As vítimas comeram um bife Wellington preparado por Patterson em um almoço familiar, em 16 de julho de 2023. O prato tinha cogumelos-de-chapéu-da-morte, espécie altamente tóxica, na casa dela em Leongatha, no estado de Victoria.
Patterson nega ter envenenado os parentes de forma deliberada. Durante o julgamento, ela sustentou que colocou os cogumelos por acidente e tentou esconder o ocorrido após entrar em pânico.
A defesa apresentou sete argumentos para pedir a revisão do processo de 11 semanas. Patterson afirma que sofreu um "erro judicial" e contesta o interrogatório da acusação, que durou cinco dias.
Os advogados também dizem que a acusação alterou sua tese ao sugerir um motivo para os crimes na fase final do julgamento. Na abertura do processo, os promotores haviam dito que não conheciam o motivo dos assassinatos.
Outro questionamento envolve a hospedagem dos jurados durante as deliberações. Os 12 integrantes ficaram no mesmo hotel que o principal detetive do caso e dois membros da acusação, sem saber da coincidência.
A promotoria também recorre da sentença definida em setembro de 2025. Patterson recebeu prisão perpétua, com possibilidade de pedir liberdade condicional após 33 anos, além de 25 anos simultâneos pela tentativa de assassinato.
Se a promotoria vencer, ela poderá receber prisão perpétua sem liberdade condicional ou um prazo maior que 33 anos. Pela pena atual, Patterson poderá pedir liberdade condicional em 2056, quando terá 82 anos.
O prazo de 33 anos foi o maior já aplicado a uma mulher condenada por assassinato em Victoria. A Austrália não aplica pena de morte, e a prisão perpétua é a punição máxima no país.
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