Brics: Vieira cita colapso da governança global e defende multilateralismo
O chanceler Mauro Vieira afirmou neste sábado (12) que o atual sistema de governança global entrou em “colapso” e que o bloco precisa defender um “multilateralismo renovado e legítimo”.
A fala foi feita durante discurso na abertura da cúpula do Brics, em Nova Delhi, na Índia.
O ministro brasileiro citou a crise humanitária em Cuba, as intervenções na América Latina e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio como exemplos de desrespeito ao direito internacional.
“Em meio ao colapso da velha ordem, a voz do Brics deve se erguer em defesa de um multilateralismo renovado e legítimo”, afirmou.
O chanceler está representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não pôde participar da cúpula por causa da reta final da campanha eleitoral.
Leia Mais Em entrevista, Mauro Vieira pede fim das "agressões de Milei contra Lula" Vieira deve ter novo encontro com embaixador na Argentina na quarta (29) Embaixador em Buenos Aires seguirá no Brasil após nova reunião com Vieira Para garantir a renovação do multilateralismo e o respeito ao direito internacional, Vieira voltou a lembrar que o governo brasileiro defende reformas profundas no sistema de governança global, especialmente no Conselho de Segurança da ONU.
Ele mencionou também a necessidade de mudanças na OMC (Organização Mundial do Comércio) e nas instituições financeiras globais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.
“O Brasil está convencido de que não podemos alcançar esses objetivos sem reformar a arquitetura da governança global, tendo o Sul Global como o principal motor desse processo”, disse.
“A paralisia virtual do Conselho de Segurança contribui para a erosão da arquitetura de paz e segurança internacionais que, apesar de todas as suas falhas, poupou gerações do flagelo da guerra”, pontuou.
O ministro também defendeu a unidade do grupo para avançar com essas propostas, mesmo reconhecendo que o Brics atualmente reúne países que possuem posições divergentes .
“Agora, como um grupo ampliado, devemos corresponder ao nosso peso crescente com um senso de responsabilidade para atuar como uma força coesa em prol dos interesses do Sul Global”, afirmou.
Em entrevista exclusiva à CNN Brasil na véspera da cúpula , o chanceler já havia defendido a ideia de que o Brics, por ser um grupo expressivo, mas relativamente pequeno, pode superar suas divergências e encontrar soluções para vários problemas através de um diálogo mais próximo entre os governos.
Diplomatas ouvidos pela CNN Brasil destacaram que um exemplo disso aconteceu justamente na cúpula em Nova Délhi, quando Irã e Emirados Árabes Unidos conseguiram superar suas diferenças e aprovaram o comunicado final do encontro – apesar de estarem em lados opostos na guerra do Oriente Médio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.