Festival Miacena ocupa São Paulo com arte gratuita em 19 espaços
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O concreto, as buzinas e o fluxo frenético de quem corre contra o relógio pelas ruas paulistanas ganham uma pausa poética neste mês de agosto. Em sua 3ª edição, realizada entre 11 e 22 de agosto de 2026, a Miacena – Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos espalha mais de 50 atividades gratuitas por 19 pontos da capital, integrando também o calendário da Jornada do Patrimônio .
Idealizado por André Acioli e Dani Angelotti, o evento convida a população a redescobrir a metrópole ao ocupar praças, escadarias, prédios históricos, centros culturais e até o interior de um ônibus em movimento, transformando o cotidiano urbano em matéria-prima para o teatro , a dança, o circo e a performance.
Para André Acioli, essa fricção entre a cena artística e o patrimônio edificado funciona como um verdadeiro dínamo para ambos os lados. Ele observa que o projeto lança um olhar de delicadeza e preservação sobre uma arquitetura que muitas vezes sofre com o apagamento de sua memória, ao mesmo tempo em que desafia os criadores a ressignificarem a forma de se comunicar fora dos palcos tradicionais.
Longe de tentar silenciar o caos sonoro da cidade, o festival acolhe essa dinâmica como parte da dramaturgia. Segundo o idealizador, a capital se torna coautora da experiência artística: "quanto mais pulsante for, mais humano também fica. O ritmo acelerado convida as artes cênicas a oferecerem presença e desaceleração, mas sem perder a poesia; a cidade vira coautora de ingredientes para somar ao trabalho".
Com curadoria assinada por Celso Curi, Federico Irazábal, Malu Barsanelli, Wesley Kawaai e pelos idealizadores, a programação buscou de maneira quase intuitiva o equilíbrio entre raízes populares e experimentos contemporâneos e tecnológicos. A abertura oficial que aconteceu no CCBB-SP, no dia 11 de agosto, comandada pelo grupo de breaking M.O.S. (Mantendo a Origem Sempre), deu o tom plural da mostra, que reúne desde estreias internacionais até pesquisas consagradas do teatro brasileiro.
Entre as atrações de fora, destaca-se a performance "Anamnesis", criada por Robson Catalunha no The Watermill Center sob a supervisão artística de Bob Wilson e encenada pela primeira vez no Brasil, além da montagem portenha "La Gravedad de las Burbujas", que divide quatro histórias simultâneas no mesmo espaço cênico.
A ocupação física da cidade ganha contornos radicais em obras como "Corpo Graffiti", da Cia. Base, que leva bailarinas e acrobatas às fachadas verticais da Prefeitura, e na ópera marginal "TrabalhaDORES", da Zózima Trupe , que embarca o público na Praça Roosevelt para uma viagem cênica em homenagem aos trabalhadores do transporte.
A diversidade do país também se faz presente com a pesquisa sobre exaustão do grupo amazonense Panorando em "Aboio: O Auto do Boi Cansado", com a parceria cênica entre Brasil e Argentina da S.E.M. Cia. de Teatro em "Um Depoimento Real", e com a força do solo "Carangueja", de Tereza Seiblitz , ao lado de intervenções marcantes de coletivos como a Cia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.