Se eleito, Flávio Bolsonaro levará a milícia ao Planalto
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A distopia brasileira sempre encontra um jeito de se superar. O choque de realidade de 2026 nos colocou diante de um cenário que deveria causar calafrios em qualquer cidadão: Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno da eleição presidencial. O problema central do candidato não é apenas a corrupção comezinha.
Ele é, sem muito esforço, o Bolsonaro mais corrupto da linhagem, um sujeito que usou a vida pública primordialmente para enriquecer, amparado pela figura sombria de Fabrício Queiroz , o eterno gerente de suas rachadinhas e operador de um gabinete transformado em balcão de negócios. Mas o dinheiro desviado é o menor dos nossos problemas. O verdadeiro terror que acompanha o herdeiro opaco é a sua ligação crônica com a milícia e a forma assustadora como ele normaliza essa barbárie.
Para entender o buraco em que estamos nos metendo, precisamos falar sobre o que realmente acontece nas ruas. Antes de me mudar para o Rio de Janeiro, milícia não era nem uma palavra e muito menos uma realidade no meu vocabulário. E isso não quer dizer que seja um problema exclusivamente fluminense, mas é por aqui que esse tipo de organização está fincado há décadas e quase normalizado no organograma político –muito por conta de parlamentares como Flávio.
Esses grupos não são agentes comunitários, apesar de terem se formado como uma "justiça paralela", com a promessa de combater o tráfico de drogas e a criminalidade em regiões abandonadas pelo Estado. É uma máfia sanguinária que sequestra o poder público e transforma a população em refém. Eles controlam o gás, a internet, a TV a cabo, o transporte de vans e a água. São responsáveis por ocupação ilegal de terrenos, construções irregulares, venda e locação forçada de imóveis. Extorquem comerciantes e silenciam comunidades inteiras sob a ameaça do fuzil. A vida de milhões de cidadãos passou a ser controlada por uma força paramilitar implacável.
Segundo o Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, produzido pela Universidade Federal Fluminense e pelo Instituto Fogo Cruzado, cerca de 4 milhões de moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro vivem sob controle ou influência desse inferno que se chama milícia.
E como o candidato à Presidência enxerga essa tragédia? Flávio já deu declaração na tribuna de que há policiais que fazem parte da milícia e que a população gosta porque se sente protegida. Um horror absoluto. É a confissão de quem olha para uma estrutura criminosa que achaca os mais pobres e enxerga ali um modelo de segurança pública.
O absurdo chegou a tal ponto que a história de Adriano da Nóbrega já foi contada e repetida tantas vezes que as pessoas simplesmente se acostumaram com a ligação de Flávio com um bandido dessa estirpe. A proximidade com um matador profissional, as homenagens e o emprego de seus familiares no gabinete viraram paisagem.
Se alguém acredita que isso é passado, basta olhar para o presente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Cotidiano.