CVM lança supervisão de mercados com IA este ano, diz presidente
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve lançar ainda este ano um novo sistema de fiscalização de mercados usando inteligência artificial, o que dará mais agilidade e melhorará o acompanhamento de fundos e outros investimentos, afirmou hoje o presidente da autarquia, Otto Eduardo Lobo.
“Quero essa supervisão funcionando agora, em dois ou três meses”, disse, após participar do Encontro Anfidc, da Associação Nacional de FIDCS, em São Paulo.
Paralelamente, a CVM prepara também um sistema de acompanhamento de negociação de ativos digitais, com o uso de tokens, e uma regulação para esses instrumentos ainda este ano.
“Estamos com a audiência pública que termina em 60 dias, criamos um grupo de trabalho na CVM sobre ativos digitais e virão as recomendações, as sugestões do mercado, mas vamos fazer isso rapidamente, e quero que saia este ano”, afirmou.
Segundo Lobo, a CVM vai testar na Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que está desenvolvendo um projeto de tokenização de ativos financeiros, o sistema de supervisão das novas infraestruturas de mercado baseadas na possibilidade de criação de ativos digitais.
O presidente admitiu, porém, que há maiores dificuldades na regulação dos ativos digitais, já que a tecnologia para negociação desses ativos ainda não está definida e há discussões nos Estados Unidos sobre qual seria o melhor modelo, apesar de muitas bolsas já estarem se preparando para lançar esses sistemas com tokens.
“Não vai ser a CVM que vai definir para onde o mercado vai, mas na parte de tokenização a CVM vai cumprir seu papel, pois todos os países precisam parar e discutir essa pauta de criação de ativos digitais”, acrescentou.
Segundo ele, esses projetos estão sendo bancados por associações de classe do mercado, como a Abrasca, das companhias abertas, a Anbima e a Ancord, das corretoras, que adiantaram os valores que a autarquia passará a receber no ano que vem de acordo com a determinação do Supremo Tribunal Federal, de que 75% da taxa de fiscalização cobrada do mercado seja investida na CVM.
“São R$ 658 milhões que entram no nosso orçamento, por isso estamos cumprindo a exigência do STF, de fortalecer a CVM e a supervisão dos mercados”, diz.
Lobo afirmou que nos próximos meses serão contratadas as empresas que vão digitalizar e colocar os dados de mercado dos ativos hoje existentes na nuvem, para que o novo sistema de supervisão da CVM por IA comece a acompanhá-los.
“Em dois ou três meses já vamos ter muita coisa, o sistema vai ficar funcionando 24 horas, sete dias por semana, não analisando algumas companhias, mas todas elas”, explica.
“Isso vai aumentar muito o número de empresas fiscalizadas pela supervisão prudencial e aumentar as informações de fundos, por exemplo”.
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