Ação de reciprocidade será longa e exige 'ajuste fino' para não afundar mais a economia, dizem analistas
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A abertura do processo que aplica a Lei de Reciprocidade Econômica contra o tarifaço de Donald Trump não significa que o Brasil vá retaliar imediatamente os Estados Unidos . Prevista em lei, a ação deve se estender por etapas de análise e consulta e, neste momento, serve mais como uma ferramenta de pressão sobre Washington do que como o início de uma guerra comercial .
Essa é a avaliação de especialistas em comércio internacional, que se dividem sobre os benefícios do caminho adotado pelo governo brasileiro. Para alguns, a estratégia impõe riscos e pode acabar "punindo" empresas em dobro. Para outros, é uma resposta natural e sinaliza que o Brasil tem instrumentos para reagir.
A percepção em comum é que o governo terá de fazer um "ajuste fino" na resposta para evitar que uma eventual retaliação encareça insumos, máquinas e tecnologias importados pelos setores produtivos brasileiros e acabe agravando os efeitos das tarifas americanas sobre a economia nacional.
A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), que reúne empresas brasileiras e americanas, defende que a prioridade para solucionar o impasse seja a negociação e disse que acompanha o início do processo com atenção.
"A adoção de eventuais contramedidas deve ser evitada, diante do considerável risco de elevar custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos e levar a uma escalada comercial e política na relação com os Estados Unidos, reduzindo o espaço para o diálogo e tornando mais difícil alcançar uma solução negociada", disse a entidade em nota divulgada nesta sexta-feira (14).
Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, a decisão do governo é legítima e adequada neste momento, justamente por preservar a possibilidade de negociação antes de uma eventual retaliação.
"A lei brasileira manda avisar [sobre a reciprocidade] para dar oportunidade ao diálogo", afirma Barral. Segundo ele, a abertura do processo funciona como instrumento de pressão para destravar as negociações.
Barral diz que o procedimento é longo e ainda prevê consulta pública, etapa em que a indústria poderá se manifestar. "Nenhuma medida imediata vai ser tomada", afirma.
A leitura é compartilhada por Celso Figueiredo, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e doutor em direito internacional pela USP (Universidade de São Paulo), que avalia a decisão do governo como natural.
Figueiredo diz que o Brasil sempre indicou que essas tarifas seriam injustas e, inclusive, iniciou um processo contra os Estados Unidos na OMC (Organização Mundial de Comércio) sobre isso.
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