Gilmar Mendes critica Mendonça por expor conversas e defende Gonet
Gilmar Mendes, ministro do STF, saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e criticou o ministro André Mendonça por expor conversas sob sigilo em um caso no tribunal.
Gilmar afirmou que Gonet tem "reputação ilibada" e que sua conduta é reconhecida até por quem discorda dele. Em publicação no X, o ministro disse que o levantamento do sigilo revelou diálogos que "nada de ilícito retratavam", mas que o dano à imagem já estava feito.
Crítica central mirou a decisão de Mendonça de tornar públicas as conversas e depois ter reconhecido de que não havia irregularidade. Gilmar escreveu que, no plenário, o relator admitiu "em alto e bom som" que não existia nada contra o procurador-geral e questionou por que, então, houve a exposição.
Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo…
O ministro também acusou o relator de buscar ganho político com o episódio ao divulgar um vídeo nas redes sociais agradecendo apoio popular. Para Gilmar, agradecer por um ato que o próprio relator teria reconhecido como sem fundamento contra o exposto compromete a ideia de imparcialidade.
Na postagem, Gilmar comparou o caso a práticas que atribuiu à Operação Lava Jato, como vazamentos seletivos para criar "fato consumado" antes do processo. Ele disse que esse tipo de exposição favorece "linchamento coletivo", enfraquece o direito de defesa e atinge a presunção de inocência.
Gilmar sustentou que a divulgação de sigilos costuma ocorrer em momentos calculados para produzir efeitos fora do processo. Ele citou que, na Lava Jato, quebras de sigilo apareciam perto de eleições e afirmou que, agora, a medida ocorreu às vésperas de 7 de Setembro.
Segundo o ministro, o objetivo seria "inflar as ruas", obter dividendos políticos, manchar reputações e intimidar opositores desse método. Ele afirmou que o alvo final é o direito de defesa de pessoas contra as quais haveria "vingança" em vez de justiça.
Ao final, Gilmar declarou "integral solidariedade" a Paulo Gonet e disse que instituições sérias precisam respeitar o devido processo desde o primeiro ato. Ele também afirmou que o país e as instituições devem à "coragem" e à "correção" de pessoas como o procurador-geral.
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