Quem é Senival Moura, vereador do PT preso por 'gestão financeira' de empresa ligada ao PCC
Preso preventivamente na manhã desta quarta-feira, 28, o vereador petista de São Paulo Senival Moura é suspeito de envolvimento na gestão financeira da Transunião, empresa de ônibus investigada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil por supostamente ser utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo da capital paulista.
Licenciado do mandato, Senival já liderou a bancada do PT na Câmara Municipal de São Paulo e tem uma trajetória de quase três décadas ligada ao setor de transportes. O Estadão pediu manifestação do parlamentar nesta quarta e aguarda resposta.
Senival Pereira de Moura nasceu em Batalha, Alagoas, em 27 de abril de 1965, e mudou-se em 1977 com sua família para São Paulo, de acordo com a biografia do vereador. Ao longo de sua trajetória na política paulistana, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e construiu carreira legislativa na Câmara Municipal de São Paulo.
A trajetória legislativa do vereador teve início na disputa de 2002 para deputado estadual, pleito em que não se elegeu, mas ganhou projeção para a eleição municipal de 2004, quando ficou na primeira suplência do PT e assumiu o cargo na Câmara em fevereiro de 2007.
A partir de então, conquistou sucessivas reeleições: em 2008, eleito vereador mais votado do PT com 66.139 votos. Venceu também os pleitos de 2012, 2016 e 2020, e conquistou o sexto mandato em 2024.
Esta é a segunda vez que Senival é preso no âmbito da Operação Última Parada. O parlamentar foi detido pela primeira vez em 25 de junho e solto em 5 de agosto. Após passar 40 dias preso na carceragem do 8.º Distrito Policial, no Brás, o vereador usou a tribuna do Plenário 1.º de Maio para rebater a investigação e afirmou que foi "pintado como o demônio".
Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sustentam que os elementos reunidos na investigação apontam Senival como uma das figuras centrais do núcleo de comando da Transunião. Embora não ocupasse formalmente um cargo de direção na companhia, o vereador seria responsável pela gestão financeira da empresa e por decisões sobre seu funcionamento.
A nova ordem de prisão foi expedida pelo juiz Antonio Carlos Martins, da 1.ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.
Na decisão, com base na representação dos promotores, o magistrado destaca indícios de que Senival mantinha o "domínio econômico sobre parcela relevante da frota da Transunião", controlava valores e utilizava terceiros e familiares como titulares formais de bens.
Para o juiz, esses elementos demonstram risco concreto na manutenção do vereador em liberdade. A posição de comando atribuída a Senival, exercida "à margem da administração formal da empresa", e o uso de familiares e terceiros para manter ativos em seu nome lhe dariam condições de continuar atuando sobre a estrutura empresarial investigada.
A apuração do Ministério Público aponta que, entre 1.º de janeiro de 2019 e 17 de maio de 2022, Senival teria movimentado R$ 8,6 milhões em créditos e débitos em suas contas bancárias, distribuídos em 3.134 lançamentos.
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