Alexandre Garcia: Tempo de correção
O Sete de Setembro foi um retrato do abismo que o Estado brasileiro criou ao encastelar-se numa Corte apartada da nação, a serviço da qual o governo existe.
Nos palanques armados na Esplanada, estava o Brasil oficial, os comissionados, autoridades federais dos Três Poderes.
No amplo gramado, que já foi pisado por milhões num Sete de Setembro , apenas uns punhados de eleitores pagadores de impostos, origem do poder.
Nunca vi uma parada da Independência assim, quase sem povo.
Em Brasília, o povo que saiu de casa no aniversário da Independência foi para o Eixo Rodoviário, o Eixão, comemorar a data e exigir que o Estado brasileiro se livre da imoralidade de que está contaminado nos Três Poderes.
O Brasil oficial trouxe faixas de marqueteiro com a palavra "Soberania", com o objetivo de converter em peça de propaganda eleitoral as bravatas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra Donald Trump, mas ninguém explicou de quem é a soberania, muito menos para que serve, já que o povo perdeu a soberania, porque não decide nada, e ninguém no mundo oficial quer ouvir o que foi exigido na Avenida Paulista lotada de gente com críticas aos presidentes da República e do Senado, a ministros do Supremo, ao procurador-geral, ao diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — que teve na tribuna presidencial a sua Ilha Fiscal, seu último baile, embora sem a presença do imperador.
No dia seguinte, era defenestrado pelo ministro André Mendonça, com apoio da maioria da 2ª Turma do Supremo.
A Semana da Pátria deste ano foi fértil em acontecimentos que se acumulam para criar algum desfecho importante.
Cheia de simbolismo.
Comemoramos a Independência e milhões são dependentes do governo, milhões estão jungidos aos tributos e juros, milhares estão presos por um inquérito ilegal, o Estado-matriz quer que o país seja sua colônia, a palavra liberdade foi tratada como subversiva.
E agora se usam todos os meios para manter os privilégios e as imoralidades que já são sabidas como óbvio ululante.
Nunca um aniversário da Pátria presenteou seu povo com tantas oportunidades para corrigir os desvios.
Um momento histórico que põe sob julgamento o próprio povo, como se fosse para demonstrar que merece o berço esplêndido em que nasceu.
A Paulista tem sido a ágora do Brasil, no coração do mais importante estado da Federação.
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