Mauro Cezar: Conmebol se preocupa com pirotecnia e não combate o racismo
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Conmebol faz "um carnaval" com campanhas contra o racismo, mas não adota medidas efetivas para punir e inibir atitudes discriminatórios, avaliou Mauro Cezar Pereira no Posse de Bola , do Canal UOL.
Após o Hugo Souza ser alvo de mais um ataque racista na Argentina , o comentarista cobrou da entidade mecanismos para identificar e responsabilizar agressores. Mauro Cezar ainda destacou que questões como o uso de sinalizadores, por exemplo, costumam render punição dura da Conmebol, que faz vista grossa contra o racismo.
A Conmebol faz um carnaval com essa coisa de todo mundo naquele círculo central, os jogadores e tudo, mas medidas efetivas não tem nenhuma. Eu queria entender, por exemplo, um jogo como o de ontem, em que os torcedores ficam ali espremidos no alambrado. O camarada que tem esse comportamento, o cretino que tem esse comportamento, ele fica facilmente ali protegido, entre aspas, pela multidão. É difícil identificar o cara. Mas se tem tantos seguranças, que ficam ali olhando pra torcida, e você pode colocar hoje câmeras com facilidade em pontos estratégicos, por que não fazer isso? Agora, eles adoram fechar estádio por conta de recebimento de time quando entra em campo. Se acender um sinalizadorzinho, eles suspendem. Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar reforçou que, sem identificação e punição, os racistas se sentem protegidos pela multidão. Ele citou exemplos de como a pressão sobre o clube pode levar a própria torcida a apontar o responsável para evitar prejuízo esportivo.
Não estão fazendo rigorosamente nada. E isso propicia as pessoas cretinas, como os canalhas que ofenderam o goleiro Hugo Souza, manter esse comportamento. Era mais do que previsível que isso fosse acontecer ontem. Mas elas não fazem nada, nada. Isso que eles fazem é nada, é zero, é nada. Mauro Cezar Pereira
Arnaldo Ribeiro disse que o caso se repete porque a Conmebol não mexe no que realmente atinge os clubes. Para ele, a entidade precisa punir com perda de mando ou portões fechados, e não só com multas, para forçar uma mudança de comportamento nas arquibancadas.
Enquanto a Conmebol não tirar mando por tão vazio, essas situações vão se repetir porque elas são consideradas banais. Então o Rosário perde o mando de campo, o Rosário joga de portões fechados. Aí a torcida do Rosário vai começar a policiar esse tipo de comportamento. É simples. Alguma atitude tem que ser tomada. Não é multa pequenininha e tal, porque é uma coisa recorrente. Arnaldo Ribeiro
Juca Kfouri defendeu que a saída passa por uma ação coletiva dos times brasileiros, já que uma decisão isolada pode virar punição para quem protesta. Ele lembrou que, se um time abandona o jogo, corre o risco de perder por W.O. e ainda ser penalizado.
Os times brasileiros têm que tomar uma atitude conjunta. Porque se o Corinthians sai de campo ontem, o que acontece? Perde o jogo pro W.O. E ainda é punido. Juca Kfouri
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