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Bombardeios dos EUA contra facções podem se converter em ultimato a Lula

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Bombardeios dos EUA contra facções podem se converter em ultimato a Lula

Se os Estados Unidos começarem a bombardear facções terroristas e cartéis de drogas na América Latina, é possível que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja confrontado até a eleição de outubro por um ultimato: "O senhor está contra ou a favor do combate ao terrorismo internacional?"

Na lógica do governo de Donald Trump, facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são Organizações Designadas como Terroristas (ODTs, na sigla em inglês) e, como tais, são alvos legítimos dos Estados Unidos.

Por essa lógica, há apenas dois caminhos para os países latino-americanos agora. O primeiro é se unir à iniciativa chamada A3C —nome dado à Coalização das Américas contra os Cartéis—, o que inclui eventualmente aceitar que forças militares dos Estados Unidos realizem ataques contra grupos criminosos nacionais no interior das fronteiras desses países consorciados.

Para quem se une ao A3C, o caminho é esse. Os que não se uniram —como no caso do Brasil— poderão ser confrontados por uma posição intervencionista norte-americana que finalmente irá questionar a razão de presidentes como Lula não permitirem ações internacionais de força contra facções que atuam dentro de seus países.

A lógica do atual governo brasileiro é a de que a criminalidade que ocorre no interior de nossas fronteiras nacionais é um problema a ser resolvido pelo Brasil, ainda que com cooperação internacional. Essa posição foi explicada de forma clara pelo ex-chanceler e atual assessor de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, ontem, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

A questão é que essa postura do governo Lula —em um contexto de disputa eleitoral na qual os Estados Unidos se opõem à reeleição do atual presidente brasileiro— pode acabar se convertendo em uma estratégia maliciosa do governo de Donald Trump, com a qual Washington tentará passar a mensagem de que o atual governo brasileiro acoberta e protege terroristas internacionais.

Se isso acontecer, o discurso nacionalista e soberanista de Lula, que até aqui tem tido efeito positivo para a campanha dele, no que diz respeito às tarifas, passaria a ser testado em um novo patamar, mais volátil, violento e imprevisível.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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