Procurador que pediu expulsão de Bolsonaro do Exército é condecorado com medalha militar
Chefe do Ministério Público Militar que pediu expulsão de Bolsonaro é reconduzido ao cargo Divulgação/MPM e Sergio Lima/AFP O procurador militar Clauro Roberto de Bortolli foi condecorado com a Medalha Mérito Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, distinção publicada no Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira (9).
Ele foi o autor do processo movido pelo Ministério Público Militar (MPM), órgão que ele chefia, que pede a expulsão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) das Forças Armadas.
Bortolli ingressou no MPM em 1995.
Ele é atual procurador-geral do órgão e recebeu a medalha junto a outros seis civis e 59 militares, em documento assinado pelo Almirante-de-Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Em fevereiro, o MPM, sob a gestão de Bortolli, apontou ao Superior Tribunal Militar (STM) elementos que indicariam "descaso" de Bolsonaro com "preceitos éticos" do Estatuto dos Militares.
O processo pede que o STM determine a perda do posto e da patente de Bolsonaro, que é capitão da reserva, e outros quatro militares: o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e os três generais do Exército Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Todos cumprem penas entre 19 e 27 anos de prisão por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, após julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025.
MP Militar pede ao STM perda dos postos e patentes de Bolsonaro e outros condenados pela trama golpista O STM ainda não definiu uma data final para o julgamento.
Em junho, a Corte Militar rejeitou um pedido da defesa de Bolsonaro para o afastamento do ministro tenente-brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo por suspeição. ➡️ A Constituição prevê a perda de posto e patente para militares condenados a mais de dois anos de prisão em decisão transitada em julgado.
É a primeira vez que os órgãos discutem a expulsão das Forças por crime contra a democracia.
Segundo Bortolli, na ação, Bolsonaro "não teve pudor para, valendo-se de estruturas do Estado, inclusive armadas, voltar-se, ao menos por um ano e meio, e através de grave ameaça e violência, contra o funcionamento regular dos Poderes Constitucionais e contra o governo democraticamente eleito".
O relatório do MPM cita violações ao dever de probidade, ao respeito à dignidade humana, ao cumprimento das leis e ao acatamento das autoridades civis.
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