Nepal recusa auxílio externo em busca e resgate após inundações
Katmandu afirma que não necessita de auxílio estrangeiro para as operações de busca e resgate após as devastadoras inundações que atingiram o norte do país , apesar das múltiplas ofertas de ajuda internacional.
A declaração foi feita nesta quarta-feira, 28 de agosto, em Pequim, reforçando a postura do governo nepalês de gerir a crise internamente.
As inundações no Nepal levaram o país a recusar, por ora, a assistência de equipes estrangeiras para as operações de busca e resgate, alegando autossuficiência.
Nações como Estados Unidos, China e Coreia do Sul ofereceram o envio de equipes de socorro, mas Katmandu optou por não aceitar.
Especula-se que a decisão esteja ligada à sensibilidade da China quanto à fronteira com o Tibete, embora o Ministério das Relações Exteriores nepalês negue.
“Nosso aparato de segurança está conduzindo as operações de busca e resgate.
Por enquanto, não precisamos desse tipo de auxílio”, declarou Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Katmandu, em declaração reproduzida pela agência Reuters.
De acordo com o jornal Kathmandu Post, entre os países que se ofereceram para enviar equipes de busca e socorro estavam Bangladesh, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia, Japão, Reino Unido e Sri Lanka.
Por que o Nepal recusa ajuda internacional? A Coreia do Sul, por exemplo, confirmou que o Nepal sinalizou não ter intenção de aceitar equipes estrangeiras.
“A Coreia do Sul continuará negociando com o Nepal sobre a questão”, informou o Ministério das Relações Exteriores de Seul, que destinará US$ 1 milhão em ajuda humanitária por meio de organizações internacionais.
A situação é particularmente delicada para Seul, pois nove cidadãos sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica estão desaparecidos e outros dez ficaram bloqueados, conforme informações do governo sul-coreano.
Dinesh Bhattarai, ex-embaixador do Nepal na Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, sugeriu que a decisão de recusar equipes estrangeiras poderia estar associada ao fato de a zona atingida pelas inundações fazer fronteira com o Tibete, uma região considerada sensível para a China.
Contudo, o porta-voz da chancelaria nepalesa rejeitou essa interpretação.
“A decisão não está ligada à sensibilidade da China em relação ao Tibete, mas ao fato de que as equipes de resgate nepalesas estão gerenciando diretamente as operações”, afirmou Lok Bahadur Chhetri, segundo a Reuters.
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