Objetivo de Trump de separar vacina tríplice viral pode levar uma década, dizem especialistas
12 Ago (Reuters) - A ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, determinando que os norte-americanos recebam vacinas separadas contra sarampo, caxumba e rubéola enfrenta um obstáculo imediato: nenhuma dessas vacinas individuais está registrada no país, e especialistas afirmam que pode levar anos até que alguma delas esteja disponível, se é que isso virá a acontecer.
Duas fabricantes — a MSD & Co e a GSK — estão autorizadas a produzir vacinas combinadas contra sarampo, caxumba e rubéola para pacientes nos Estados Unidos. Vacinas específicas para cada uma dessas doenças não estão disponíveis nos EUA desde que a MSD interrompeu sua produção em 2008. Elas não são utilizadas rotineiramente na maioria dos outros países.
MSD e GSK afirmaram em comunicados que não há evidências científicas publicadas que apoiem a separação das vacinas e que há décadas de evidências que comprovam a segurança de suas vacinas combinadas.
“Mesmo sob os atuais processos de análise acelerada, poderia levar anos — potencialmente até 10 — para atender aos requisitos de segurança e eficácia necessários para obter a aprovação da FDA e, então, iniciar a fabricação e a comercialização” das vacinas contra uma única doença, disse a MSD.
Trump assinou na segunda-feira o decreto exigindo a redução do número de vacinas infantis, o que, segundo ele, proporcionará às crianças dos EUA uma proteção “padrão-ouro”. De acordo com o decreto, “a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) deve ser administrada em três doses separadas, cada uma contra uma única doença, assim que tais produtos estiverem disponíveis no mercado interno”.
Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, Trump sugeriu que as vacinas causam autismo, apesar da falta de evidências científicas de que exista uma relação entre os dois. Alguns especialistas em saúde pública afirmaram que a ordem poderia aumentar a relutância em relação à vacinação, expondo mais crianças a doenças que podem ser prevenidas por vacinas.
O CDC e muitos dos principais grupos médicos recomendam há muito tempo a vacina combinada, pois ela reduz o número de injeções e diminui o risco de que as crianças fiquem sem proteção contra uma das três doenças.
O dr.
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