Dia do Folclore: autor de livro sobre Comadre Florzinha explica por que encantados não devem ser tratados como 'lendas'
Givanildo Silva é autor do livro 'Minha Cumadi Fulozinha' Roan Nascimento O escritor indígena Givanildo Silva é autor do livro “Minha Cumadi Fulozinha”, obra que reúne histórias e memórias sobre a Comadre Florzinha, um encantado presente no imaginário e na cosmologia de povos indígenas e comunidades tradicionais da Paraíba e de Pernambuco. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp No Dia do Folclore, comemorado neste sábado (22), o autor conversou com o g1 sobre a relação entre os encantados e as tradições indígenas e chamou atenção para a forma como essas figuras são classificadas como “lendas”.
Para Givanildo, o uso desse termo pode desconsiderar a maneira como diferentes povos compreendem e interpretam o mundo.
Segundo ele, é necessário respeitar as diferentes cosmologias e as crenças que fazem parte da identidade de cada comunidade.
“O problema está justamente em utilizar determinadas categorias para desqualificar a cosmologia de um povo, enquanto se reconhece como verdade ou religião a cosmologia de outro.
O que importa, nesse sentido, é compreender e respeitar aquilo em que cada povo acredita e a maneira como constrói sua própria visão de mundo”, explicou.
Agora no g1 Quem é a Comadre Florzinha? Ilustração do livro "Minha Cumadi Fulozinha" Ariana Atanázio/Divulgação A Comadre Florzinha, também conhecida como Cumadi Fulozinha, é um encantado associado à proteção das matas e das florestas.
Nas histórias transmitidas entre comunidades tradicionais, ela costuma ser retratada como uma criança ou uma mulher de cabelos compridos, que vive na mata e pode assobiar para atrair ou desorientar pessoas que entram na floresta.
A personagem também aparece em relatos relacionados à proteção dos animais e da vegetação.
Em algumas narrativas, a Comadre Florzinha pune caçadores que desrespeitam a mata ou retiram dela mais do que o necessário.
No livro “Minha Cumadi Fulozinha”, Givanildo Silva parte das próprias lembranças de infância para reconstruir histórias relacionadas ao encantado.
As memórias são ligadas, principalmente, à convivência com o avô, período em que ouviu relatos e teve contato com a personagem que, anos mais tarde, se tornaria tema de sua obra.
O escritor conta que a ideia de escrever sobre a Comadre Florzinha surgiu ainda na infância e permaneceu presente durante décadas, até se transformar em livro.
“Desde criança, eu carregava comigo o desejo de, um dia, escrever um livro sobre ela.
Era uma ideia que me acompanhava como uma espécie de projeto adormecido na memória.
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