Candidaturas femininas seguem abaixo de 35%, aponta especialista
As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro , com cerca de 83,9 milhões de títulos, o equivalente a 53% do total , segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
As candidaturas femininas, no entanto, seguem abaixo de 35% .
A doutora em Direito Constitucional pela USP Luciana Oliveira Ramos comenta o desafio da representatividade feminina, ao Live CNN .
A representação feminina nos espaços de poder político permanece drasticamente baixa: apenas 19% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 20% no Senado Federal são ocupadas por mulheres.
Divisão sexual do trabalho e falta de apoio partidário Segundo Luciana Oliveira Ramos, o primeiro obstáculo é de natureza estrutural .
“As mulheres, para além do trabalho remunerado, elas ainda precisam zelar pelo trabalho de cuidado com os filhos, com a casa e com uma série de familiares também”, explicou.
Essa dinâmica, conhecida como divisão sexual do trabalho , sobrecarrega as mulheres e reduz o tempo e a energia disponíveis para a atuação política .
Além disso, Luciana destacou a ausência de suporte por parte dos partidos políticos.
“Falta apoio, falta estrutura, falta de fato uma preocupação em incluir outras pessoas diferentes daquelas que já estão lá, que em geral são os homens brancos de meia idade”, afirmou.
A especialista também mencionou a violência política como fator determinante: mulheres são alvo de perseguições durante campanhas e após assumirem mandatos, o que afeta gravemente sua saúde mental e as afasta da vida pública.
Leia mais Análise: Candidaturas LGBT+ crescem 57% nas eleições de 2026 Campanha precifica rejeição e aposta em Janja para engajar eleitoras Michelle faz 1º ato de campanha em Brasília e pede voto em Flávio O piso de 30% que virou teto A legislação eleitoral brasileira exige que ao menos 30% das candidaturas nas eleições proporcionais sejam de mulheres .
No entanto, Luciana Oliveira Ramos ressaltou que essa cota mínima acabou se tornando, na prática, um limite máximo.
“ A gente não consegue ultrapassar 35% de candidaturas de mulheres , mesmo a gente estando aí em 53% do eleitorado” , disse.
A especialista também alertou para uma prática preocupante: alguns partidos incluem mulheres nas listas apenas para cumprir a exigência legal, mas não oferecem estrutura adequada para a prestação de contas ao final das campanhas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.