Perdão de dívidas de MEIs pode aliviar contas, mas não resolve causas, dizem especialistas
Congresso aprova aumento do teto do MEI e perdão de dívidas O perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, pode aliviar a situação financeira de milhões de pequenos negócios, mas não elimina os problemas que levam tantos empreendedores a ficar no vermelho.
A análise é de especialistas ouvidos pelo g1.
Entre os principais fatores estão: Dificuldade de acesso a crédito adequado; Falta de planejamento; e A mistura entre as contas pessoais e as da empresa.
O projeto de lei complementar prevê o perdão de débitos de MEIs contraídos até 13 de outubro desse ano e pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com dívidas que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões.
A proposta também amplia o limite anual de faturamento da categoria e permite a contratação de até dois funcionários em determinadas condições.
Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação tende a aliviar o problema temporariamente quando não vem acompanhada de mudanças na gestão financeira do negócio.
“Programas de renegociação de dívidas, sejam para pessoas físicas, quanto para MEIs, tendem apenas a aliviar temporariamente o problema porque não atingem o cerne do problema, a falta de crédito barato disponível e de educação financeira para que a vida financeira pessoal seja separada da empresarial”, afirma.
Segundo o economista, uma das principais causas do endividamento é o uso do dinheiro da empresa para cobrir despesas pessoais.
O empreendedor recorre ao caixa do negócio para pagar uma fatura do cartão de crédito ou as contas da família e, depois, precisa tomar empréstimos para manter a atividade funcionando.
Com isso, as finanças pessoais e empresariais acabam comprometidas ao mesmo tempo.
A dificuldade de conseguir crédito em condições adequadas agrava o cenário, afirma Leal.
Sem recursos suficientes para manter a operação, o empreendedor pode recorrer a empréstimos caros, que aumentam o peso das dívidas sobre o orçamento.
Arte/g1 Empreender por necessidade ou oportunidade faz diferença Leal avalia que empreendimentos abertos por oportunidade são essencialmente diferentes daqueles abertos por necessidade.
No primeiro caso, o empreendedor costuma identificar uma demanda e estruturar o negócio para atendê-la.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Economia.