Pacote para MEIs é benéfico, mas especialistas alertam para risco fiscal
O programa Prospera MEI , anunciado pelo governo na última terça-feira, 13, propõe um pacote de medidas em prol dos microempreendedores individuais do País. Entre especialistas consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), as avaliações sobre o saldo final das medidas projetam um potencial benéfico ao setor, mas convergem para um alerta acerca do risco fiscal e do uso dessas medidas para fins eleitorais.
No pacote, estão o perdão de dívidas com a União, a compra de carteiras de dívidas privadas de MEIs junto a instituições financeiras e a elevação do teto da categoria.
Para a doutora em Direito Tributário Flávia Gaeta, sócia do FH Advogados, "é preciso separar os temas e identificar o que é uma questão aparentemente resolvida daquilo que é uma promessa de difícil concretização ainda em 2026", pontuou.
Segundo Gaeta, medidas como o aumento do teto do MEI, a remissão de dívidas com a União e a compra das dívidas privadas se configuram como promessas acompanhadas de obstáculos para sua implementação imediata, seja pelo apertado calendário no Congresso durante as eleições, seja pela falta de regulamentação específica em tempo hábil para tirar as propostas do papel.
Além disso, a promessa do PixMEI, que seria um repasse direto do governo no valor de R$ 5 mil para cerca de 1 milhão de empreendedores, não poderia ser implementada no momento por configurar uma violação da lei eleitoral, segundo Gaeta. "Na prática, não pode ser concretizada essa proposta durante o ano eleitoral, pois esbarra frontalmente com o artigo 73, parágrafo décimo, da Lei 9.504/97", comentou. A lei veda a distribuição gratuita de valores ou benefícios pela máquina pública durante ano eleitoral, exceto em caso de calamidade pública ou de programas autorizados previamente e já em execução orçamentária.
Erick Nuñez, contador e CEO da Tag Contabilidade, vai na mesma linha. Ele vê a proposta do PixMEI como inviável no momento. "A legislação eleitoral restringe a distribuição gratuita de benefícios pelo governo durante o ano eleitoral, ressalvadas as exceções legais."
Outra medida anunciada pelo governo para os MEIs foi a dispensa de nota fiscal em operações de micro e nanoempreendedores com pessoas físicas. Ambos os especialistas veem essa redução na burocracia como um ponto positivo para a categoria e já pactuado no debate público, mas Nuñez alerta para riscos na concretização da medida. "Pode diminuir a rastreabilidade das transações e dificultar a fiscalização, mesmo que ela esteja restrita apenas a um grupo", disse.
No âmbito da política fiscal, o risco das medidas se mostrou um ponto recorrente nas avaliações. "A questão da ampliação do teto do faturamento do MEI caracterizaria renúncia fiscal. O apoio produtivo ao PixMEI seria um gasto direto, e isso gera uma despesa que tem que sair do Orçamento da União.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.