Moro acusou Bolsonaro de tentar barrar investigação contra Flávio? Entenda o caso
Um vídeo em que Sergio Moro (PL) acusa Jair Bolsonaro de tentar impedir sua atuação contra uma decisão judicial que beneficiava Flávio Bolsonaro (PL) voltou a circular nas redes sociais nesta semana.
A gravação mostra o ex-ministro da Justiça relatando uma pressão do então presidente para não interferir na suspensão de investigações relacionadas ao caso das rachadinhas.
Na entrevista ao Flow Podcast , o ex-juiz afirmou que Bolsonaro demonstrava preocupação com o avanço das investigações sobre familiares e passou a enfraquecer mecanismos de combate à corrupção.
A tensão entre os dois teria aumentado após uma decisão do ministro Dias Toffoli , do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu apurações baseadas em relatórios financeiros detalhados do Coaf sem autorização judicial prévia.
A medida, concedida em julho de 2019 após pedido da defesa de Flávio, interrompeu também investigações sobre lavagem de dinheiro em outras partes do país.
Moro afirmou que pretendia atuar para reverter a decisão, mas encontrou resistência do então presidente.
“Moro, se você não vai ajudar, não atrapalhe” , teria dito Bolsonaro, segundo o relato do ex-ministro.
Na entrevista, Moro explicou que considerava a suspensão prejudicial ao funcionamento das investigações e que o Ministério da Justiça precisava se manifestar sobre seus efeitos mais amplos.
O ex-juiz também associou a transferência do Coaf do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia ao receio de Bolsonaro de que investigações financeiras atingissem sua família.
O caso das rachadinhas envolvia suspeitas de recolhimento de parte dos salários de funcionários do antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O ex-assessor Fabrício Queiroz foi apontado pelo Ministério Público como operador do suposto esquema.
Flávio acabou denunciado em 2020, mas o procedimento foi encerrado após a anulação de provas, sem julgamento de mérito das acusações.
Moro deixou o Ministério da Justiça em 2020, depois de denunciar tentativas de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.
Apesar do rompimento e das declarações posteriores, o ex-ministro se filiou ao PL e declarou apoio a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026.
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