Ary Rosa fala sobre ‘Todo o Sentimento’, novo filme com Aldri Anunciaç
Destaque da Mostra Competitiva de Longas Metragens no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o filme baiano Todo o Sentimento, novo trabalho de Glenda Nicácio e Ary Rosa, representa um retorno da premiada dupla de diretores mineiros, mas radicados em Cachoeira (BA), dez anos após a edição de 2016 do mesmo festival, no qual o público foi apresentado ao sucesso Café com Canela.Na edição seguinte, outro filme da dupla foi exibido no mesmo evento.
E é a um personagem desse filme seguinte, no caso Ilha (2017), que Todo o Sentimento retorna.Personagem vivido por Aldri Anunciação, Henrique é um cineasta amargurado que vive só em um casarão colonial.
Por conta de um acidente, tornou-se cadeirante e precisará da ajuda de Gustavo (Lucas Leto) para poder sobreviver às limitações do seu dia-a-dia.Em um Brasil quase pós-apocalíptico, no qual a tentativa do golpe de estado de 8 de janeiro de 2023 se concretizou e toda uma onda de conservadorismo, preconceito e perseguição tomou conta do país, Todo o Sentimento apresenta um novo fôlego de luta dentro daquela realidade que requer resistência.Nesse papo, o roteirista do filme e co-diretor, Ary Rosa, fala sobre o processo de construção deste novo trabalho.
Confira!No roteiro de Todo o Sentimento, você revisita um trabalho anterior seu e de Glenda, que é o Ilha (2018).
Sem querer dar um spoiler em relação à inserção do filme de 2018, como foi esse processo de escrita e continuidade da história daquele personagem vivido por Aldri Anunciação?Revisitar os trabalhos, para mim, é muito sobre revisitar o Brasil.
É sobre repensar o Brasil.
Desde que a gente começou a fazer cinema e o Café com Canela, em 2016, representa essa marca inicial, o Brasil tem passado por transformações em naturezas, escalas e possibilidades inimagináveis que vão atualizando um pouco as obras e as reflexões sobre elas.
Então, eu tenho a sensação de que, muito mais do que um ato de falar de si mesmo, e de se pensar em si mesmo, é muito mais pensar as transformações de um país.
Como esses personagens se transformam diante dessa realidade.
Como o Brasil se impõe.
Como o Brasil machuca.
Como o Brasil vai te colocando em situações de o tempo inteiro ter que negociar.
E esses personagens entram nessa ficção.
Porque, de algum momento, também, para mim, a maior ficção de Todo o Sentimento é a parte inicial, que é a do 8 de janeiro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.